Com diversas transformações econômicas, sociais e culturais em curso no planeta, a defesa da liberdade têm se tornado cada vez mais uma preocupação global. A análise dessas mudanças foi o tópico principal do painel "O mundo perdeu o jeito?", que ocorreu na tarde desta sexta-feira (10) no Fórum da Liberdade, em Porto Alegre.
Para debater um tema transnacional, o painel reuniu palestrantes de três nacionalidades distintas:
- o brasileiro Denis Rosenfield, filósofo, articulista e professor universitário;
- o norte-americano Adam Howard, historiador e especialista em relações exteriores, que integrou o Departamento de Estado dos EUA e é atualmente diretor executivo da International Churchill Society; e
- o venezuelano Pedro Urruchurtu, ativista político e braço-direito da líder opositora venezuelana María Corina Machado, agraciada em 2025 com o Prêmio Nobel da Paz.
O primeiro a falar foi Adam Howard. Para o norte-americano, o sistema organizacional das sociedades passa por um momento de transição.
— Estamos vivendo em um período em que preceitos estabelecidos anteriormente não se sustentam mais. Instituições desenvolvidas para um outro tempo agora estão sob ataque, e as relações de poder estão mudando, ainda mais aceleradas pelo desenvolvimento tecnológico. De certa forma, o que estamos vivendo não é uma desordem, mas uma reconfiguração da ordem anterior. E a pergunta mais difícil que fica no momento é: quem serão os defensores da liberdade neste novo mundo emergente? — questionou.
Na sequência, Denis Rosenfield fez uso da palavra. O filósofo afirmou que o sistema internacional de cooperação entre os países, na forma como foi concebido, não se sustenta mais na prática.
— É uma nova ordem que está estabelecida, desde que Putin invadiu a Ucrânia, ficou claro que o Direito Internacional não oferece proteção a ninguém, porque não tem a força das armas. Nessa nova ordem, se o Brasil quiser ter algum tipo de influência, vai ter que ter uma capacidade militar correspondente — vaticinou.
Por fim, falou Pedro Urruchurtu. O ativista venezuelano destacou a situação de seu país de origem, lembrando que passou cerca de 400 dias asilado na embaixada da Argentina em Caracas.
— A Venezuela é um país que um dia teve um rumo, instituições fortes, democracia, e hoje simboliza uma advertência do que pode ocorrer quando descuidamos da proteção destes valores — ponderou.
O Fórum da Liberdade 2026
Esta é a 39ª edição do Fórum da Liberdade, tradicional evento sediado anualmente em Porto Alegre que debate política, economia, cultura e temas relacionados. Neste ano, o fórum bateu recorde de inscritos, com 7 mil participantes.
O evento, organizado pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE), ocorreu no Centro de Eventos da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) nestas quinta e sexta-feira. Cerca de 70 palestrantes se apresentaram ao longo dos dois dias de evento, divididos entre o palco principal e outros dois simultâneos.




