O animal encontrado ferido no bairro Menino Deus nesta quarta-feira (15), em Porto Alegre, e que horas depois precisou passar por eutanásia devido ao quadro debilitado de saúde, suscitou dúvidas sobre sua origem. Trata-se de uma fêmea da espécie Cervus axis, grupo exótico de mamíferos pertencentes à família Cervidae. Também conhecidos como cervídeos, estes animais são herbívoros ruminantes.
Apesar de gerar confusão, "cervo" e "veado" são termos equivalentes, utilizados para denominar os animais dessa mesma família de mamíferos, conforme o professor Marcelo Alievi, do Núcleo de Conservação e Reabilitação de Animais Silvestres (Preservas) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A principal diferença é em relação ao tamanho, segundo o especialista.
— Os animais considerados cervos são aquelas espécies de maior porte, normalmente europeias. Ou até o cervo do Pantanal, que é uma espécie que existe aqui no Rio Grande do Sul. Então, chamamos de cervos os animais maiores, e os veados, os animais menores. Mas, do ponto de vista técnico, todos eles são cervídeos — explica.
No Brasil, "veado" é o nome mais popular para os cervídeos nativos. A variação está mais no uso regional e cultural do termo do que em aspectos científicos.
Também conhecida como cervo-axis ou chital, essa espécie tem origem no sul da Ásia, em países como a Índia e Sri Lanka. Posteriormente, foi introduzido em partes da Austrália e Estados Unidos. Vive em florestas tropicais e subtropicais, em áreas de savana e campos abertos.
De acordo com Alievi, o animal chegou à América do Sul entre as décadas de 1920 e 1930, em fazendas de caça no Uruguai e na Argentina. A partir disso, o invadiu o Brasil pelo RS. Em 10 anos, essa é a terceira aparição da espécie em Porto Alegre, destaca o professor.
— É importante reforçar que as pessoas não podem ter essa espécie em casa. Legalmente, não pode ser criada como pet, porque não tem esse comportamento — diz Alievi.
O especialista complementa que o cervo compete com outras espécies, o que pode trazer prejuízos para a fauna nativa e, inclusive, para animais de produção – como gado –, uma vez que pode carregar doenças incomuns na região.
Animal passou por eutanásia
A fêmea foi atacada por cães durante a madrugada desta quarta-feira (15) na Rua Almirante Gonçalves, no bairro Menino Deus, em Porto Alegre. Pela manhã, equipes da Patrulha Ambiental da Brigada Militar a resgataram e a levaram ao Núcleo de Conservação e Reabilitação de Animais Silvestres (Preservas) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
No entanto, ela não resistiu. Exames realizados na universidade indicaram situação clínica delicada. Em razão das lesões e do agravamento do estado de saúde, a equipe do Preservas decidiu realizar eutanásia no animal.


