
A prefeitura de Porto Alegre aprovou o projeto de restauro do antigo Hotel Nacional, no Centro Histórico. O prédio será revitalizado para abrigar apartamentos e uma sala comercial no térreo. Construída em 1927, a estrutura foi atingida por um incêndio na década de 1990 e ficou alagada na enchente de 2024. O investimento previsto nas melhorias é de R$ 30 milhões.
O projeto é do Grupo Estrutura, incorporadora de Joinville (SC), em parceria com os donos do imóvel. Além de restaurar o antigo hotel, que fica na esquina entre as ruas Sete de Setembro e General João Manoel, outras duas construções que ficam ao lado também farão parte do complexo — uma é de 1928 e outra da década de 1940.
— Estamos felizes com a aprovação e pelo momento que o Centro está vivendo. O retrofit (reforma de prédios) chegou ao mainstream. Cumprimos todos os pormenores exigidos pelo patrimônio histórico. Foi um processo de muito diálogo com o poder público. Os nossos prazos não são os deles, mas isso tinha que ser respeitado — diz Tiago Antunes, diretor do Grupo Estrutura.
Além de aprovado na Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural (Epahc), o projeto teve aval da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus).
Após o incêndio na década de 1990, o edifício foi comprado pela família do contador Diego Moreira. Os prédios ao lado também pertencem a ele.
O térreo do antigo hotel chegou a ser usado como garagem por Diego e seus funcionários. Depois que a reforma ficar pronta, a área será destinada a uso comercial.
Como ficará
O prédio do antigo Hotel Nacional tem seis andares. Os imóveis ao lado contam com cinco pavimentos cada — ainda serão construídos mais dois andares junto à essas estruturas, que não são tombadas. Segundo Antunes, as fachadas históricas serão preservadas, incluindo novo paisagismo na lateral do edifício.
— Teremos uma união poética da arquitetura de 1920 com a atual. Faremos uma obra limpa, com steal frame (esqueleto metálico em aço galvanizado). Neste processo, as paredes são construídas em uma fábrica e montadas no local — explica Antunes.
Os estudos preveem 72 apartamentos. A metragem irá variar entre 25 a 90 metros quadrados.
— Identificamos um público (de potenciais compradores) que já vive no Centro, mas busca morar em unidades mais novas. O prédio terá infraestrutura completa: rooftop (terraço), piscina, espaço para pets e salão de festas — conta o diretor do Grupo Estrutura.
A obra de restauro começa ainda esse ano, projeta o diretor. Depois disso, ficará pronta em 18 meses. Ao longo do período, serão gerados mais de 70 empregos diretos e indiretos, dizem os responsáveis.
— No incêndio, como tudo era feito de madeira, se perdeu quase tudo que tinha dentro. Os três prédios tem pré-existências. Eles têm escadas e elevadores. Cada setor terá seus setores. Isso trará um nível de privacidade muito grande — diz Antunes.
História do hotel
O prédio do antigo Hotel Nacional foi projetado pelo arquiteto italiano Augusto Sartori em 1919, a pedido do comerciante Guilherme Alves. Erguido no início da década seguinte em estilo eclético, ficou pronto em 1927.
O hotel que funcionou no prédio entrou em decadência na década de 1940 e fechou. Em 1953, o prédio abrigou um escritório de engenharia. Em 1991, a estrutura sofreu um incêndio, que devastou completamente o interior do edifício, deixando somente a fachada.
Em 2006, o Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Comphac) aprovou um estudo de viabilidade urbanística para reformar e restaurar o imóvel, que tem a fachada tombada, com financiamento do Projeto Monumenta.
Na época, toda a fachada do imóvel foi restaurada. A obra previa a instalação de uma agência bancária no térreo do prédio e de salas comerciais nos demais pavimentos, mas isso não veio a acontecer.
Mais retrofits no Centro
A moda de reformar prédios comerciais (com escritórios) e transformá-los em moradias chegou ao Centro Histórico — a exemplo do que acontece há anos em cidades europeias e da América Latina. Os incorporadores chamam isso de "retrofit": jargão do setor imobiliário para reforma de edifícios.
Recentemente, Zero Hora noticiou que o antigo edifício que já foi do Hotel La Porta e da Vasp será transformado em um coliving. A estrutura de 1928 na Rua dos Andradas estava desocupada desde antes da pandemia, quando uma faculdade deixou o endereço.

Também na Rua Sete de Setembro, uma construtora comprou um edifício inteiro junto à Praça da Alfândega para reformá-lo. A ideia, contudo, é mantê-lo como prédio comercial.
A revitalização do prédio Cais Rooftop, conhecido por ter sido o abrigo de criminosos que cavaram um túnel para assaltar bancos na década de 2000, foi finalizada recentemente. No edifício ao lado, outro projeto de reforma já está sendo tocado.
Em frente à Praça Otávio Rocha, o antigo hotel Plazinha levou anos para ser transformado em moradia, mas foi entregue em 2023 aos moradores. A mesma incorporadora assumiu a obra de revitalização do Hotel Everest, porém os trabalhos não foram iniciados. Um outro projeto está sendo desenhado para o espaço.



