
Um quarteto de grandes empresários do país se reuniu na tarde desta quinta-feira (26), durante o South Summit, em Porto Alegre, para confidenciar o que faz uma empresa crescer mesmo em um cenário de mudanças tecnológicas cada vez mais profundas e velozes.
Sob o mote "Duas gerações, um Brasil: o que nunca muda em quem constrói grandes empresas", os participantes do painel destacaram pontos como fidelidade a um propósito, gestão de tempo e de recursos e foco em resolver problemas dos clientes com ajuda da tecnologia como pilares perenes para quem quer liderar negócios de primeira linha em qualquer tempo.
Diante de uma plateia lotada, o palco da Arena Stage recebeu o publisher e presidente do Conselho de Gestão do Grupo RBS, Nelson Sirotsky, para mediar a conversa com o fundador e presidente do Conselho de Administração da XP, Guilherme Benchimol, o cofundador da Stone e da Teya, André Street, e o empreendedor e investidor Cristhiano Faé, CEO do Instituto B55 — organização de apoio a pequenas e médias empresas, lançada neste ano, que conta com Benchimol e Street como cofundadores, além do CEO do Nubank, David Vélez.
South Summit 2026
Um dos temas prioritários da conversa foi a importância de lidar de forma adequada com as novas tecnologias, a exemplo da inteligência artificial.
— A potência da IA dobra a cada quatro meses. Em quatro, cinco anos, será cem vezes mais potente. O desafio é inserir isso no dia a dia, aprender a usar essas ferramentas. O que limita o seu conhecimento é a sua curiosidade. Hoje, a curiosidade é a chave do negócio — declarou Benchimol.
Street sublinhou que o arsenal tecnológico disponível tende a aumentar a produtividade das empresas, mas apenas nos casos em que essas novidades estiverem conectadas a algo mais perene e próprio de cada empresa.
— Tem de abraçar a tecnologia, mas sabendo usar da melhor forma e de acordo com o propósito da sua firma — complementou Street.
Faé sustentou que o lançamento do B55 é justamente uma oportunidade para empreendedores em busca de crescimento encontrarem inspiração sobre como fazer esse tipo de conexão:
— Nunca houve tanta história de sucesso no Brasil de empreendedores que começaram do zero. Não tem forma mais rápida de empreender do que contar com histórias reais.
Ao enfatizar características permanentes de grandes empresas, Nelson Sirotsky ressaltou a importância de valores imateriais:
— Uma coisa que não muda é a paixão do empreendedor pela atividade, e a integração dessa paixão com o propósito da empresa e a qualidade das pessoas que trabalham com a gente e assumem a mesma paixão e o mesmo propósito.
Street chegou a propor a empresários em busca de desenvolvimento que cumpram uma espécie de "tema de casa":
— Proponho que o empreendedor escreva no papel qual a missão, qual o propósito da sua empresa.
Benchimol complementou essa receita com algumas dicas mais práticas da vida empresarial.
— Tem de nascer crescendo, estar sempre expandindo para mostrar ao seu time que terão oportunidades (de crescer junto). Para crescer, deve ter um time obcecado, mas jogando sempre dentro das quatro linhas e com disciplina financeira — orientou o fundador da XP.
Benchimol lembrou ainda que a gigante do setor financeiro começou em Porto Alegre — e com um empurrão do jornal Zero Hora, da RBS.
— Como não tínhamos dinheiro, fizemos uma permuta com o jornal para publicar um anúncio de cursos sobre o mercado financeiro. Oferecemos 30 ou 40 cursos em troca pelo anúncio, e assim conquistamos nossos primeiros alunos, que depois viraram clientes — recordou Benchimol.
Cristhiano Faé reforçou a disponibilidade do Instituto B55 para aprofundar as lições de empreendedorismo direcionadas, nesta quinta, ao público do South Summit.
Presente pelo quinto ano consecutivo no South Summit, o Grupo RBS é strategic media partner do evento.












