
Foi arrematado em leilão na manhã desta sexta-feira (13) o antigo edifício da Secretaria Municipal da Educação (Smed), que pertence à prefeitura de Porto Alegre. A estrutura de 16 andares fica nos números 680 e 686 da Rua dos Andradas, no Centro Histórico.
O lance vencedor foi de R$ 12.401.000,01 — R$ 1.000,01 a mais do valor inicial pedido pela Secretaria Municipal de Patrimônio (Smap). A empresa Terramar Investimentos, da família Ling, foi a única interessada pelo imóvel. O pagamento poderá ser feito em 12 vezes.
— Ainda não sabemos o que será feito. Quando nos procuraram para saber do leilão, falaram da possibilidade de fazer moradias nesse prédio. De qualquer forma, a intenção é reformá-lo. Vem aí mais um "retrofit" no Centro Histórico — celebra o diretor de Patrimônio de Porto Alegre, Tomás Holmer.
Agora, a Terramar Investimentos deverá encaminhar documentos solicitados pela prefeitura para o resultado do certame ser homologado. A sede do grupo empresarial também fica no Centro Histórico.
"Ao longo desse período, mesmo diante de desafios como a pandemia de covid-19 e a enchente de 2024, seguimos acreditando no potencial urbano, social e econômico da região", diz trecho de uma nota enviada pela empresa à reportagem de Zero Hora.
Segundo a Terramar, o objetivo é transformar o antigo prédio da Smed "em uma opção de moradia no Centro Histórico", com foco em aluguel residencial, sem uso de plataformas de curta temporada.
"A proposta é reforçar a presença de moradores na região e manter um perfil demográfico compatível com o entorno, contribuindo para o comércio e a vitalidade local", explica outro trecho da nota.
Recentemente, os servidores da Secretaria Municipal da Educação que atuavam no prédio foram transferidos para um edifício na Rua Riachuelo, também no Centro Histórico. A estrutura pertence ao curso de idiomas Cultural, que está alugando o edifício para a prefeitura.
— O antigo prédio está em boas condições, mas precisa de alguns reparos. A Smed fez um orçamento para reformar, mas desistiu. Não tinha tempo para esperar a reforma e seguir trabalhando — acrescenta o diretor da Smap.
Localização privilegiada
O edifício arrematado na Andradas fica em uma área valorizada do Centro Histórico. Na quadra em que está localizado, há forte presença de restaurantes. Também há oferta de serviços, atividades culturais e supermercado.
O edifício tem área construída de aproximadamente 6,8 mil metros quadrados, sendo que cada laje passa dos 550 metros quadrados. Dos andares mais altos, tem vista para o Guaíba.
O térreo do prédio foi atingido pela enchente de maio de 2024, mas passou por reforma para recuperação. Servidores da Smed, inclusive, seguem atuando no espaço. Motivo: evitar invasões.
— Seguiremos atendendo parcialmente ali para o prédio não ficar vazio. Teve um outro prédio para o qual anunciamos leilão na Andradas que logo em seguida foi invadido. Os portões estavam soldados, mas escalaram e entraram pela janela do segundo andar — diz o diretor de Patrimônio de Porto Alegre.
Venda do prédio bancará moradias sociais
O valor da venda do edifício na Andradas entrará no Fundo Municipal de Habitação de Interesse Social e será usado para bancar a construção de um loteamento com mais de 250 moradias sociais no bairro Humaitá.
Em dezembro de 2025, a Câmara Municipal de Porto Alegre aprovou o uso de R$ 12,4 milhões da venda do antigo prédio para financiar os residenciais Barcelona 1 e 2, no bairro Humaitá. O projeto prevê 254 apartamentos, com obras previstas ainda para 2026, coordenadas pelo Departamento Municipal de Habitação (Demhab).
— Ver o projeto Barcelona avançar é a coroação de um grande trabalho. Nós, enquanto prefeitura, vamos seguir lutando para que o Residencial Barcelona saia do papel e se torne uma realidade — destaca o diretor-geral do Demhab, André Machado.
Os projetos estão em fase final de aprovação na Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus), e a execução técnica é de responsabilidade da TR Engenharia, contratada também com recursos do Fundo Municipal de Habitação de Interesse Social.
A iniciativa atende famílias organizadas desde os anos 2000 na Associação de Moradores de Aluguel e Favor Barcelona, que não foram contempladas em programas habitacionais anteriores.
Mais "retrofits" no Centro
A moda de reformar prédios comerciais (com escritórios) e transformá-los em moradias chegou ao Centro Histórico — a exemplo do que acontece há anos em cidades europeias e da América Latina. Os incorporadores chamam isso de "retrofit": jargão do setor imobiliário para reforma de edifícios.
A revitalização do prédio Cais Rooftop, conhecido por ter sido o abrigo de criminosos que cavaram túnel para assaltar bancos na década de 2000, foi finalizada recentemente. No edifício ao lado, outro projeto de reforma já está sendo tocado — o responsável por ambas as intervenções é o empresário Kleber Sobrinho.

Ainda há outros exemplos no bairro. Recentemente, Zero Hora noticiou que o antigo edifício que já foi do Hotel La Porta e da Vasp será transformado em um coliving. A estrutura de 1928 na Rua dos Andradas estava desocupada desde antes da pandemia, quando uma faculdade deixou o endereço.
Na Rua Sete de Setembro, um grupo de Santa Catarina vai reformar o antigo Hotel Nacional, fechado há décadas após um incêndio. A estrutura ganhará studios e apartamentos de até dois quartos.
Na mesma rua, a construtora Belmondo comprou um edifício inteiro junto à Praça da Alfândega para reformá-lo. A ideia, contudo, é mantê-lo como prédio comercial.
Em frente à Praça Otávio Rocha, o antigo hotel Plazinha levou anos para ser transformado em moradia, mas foi entregue em 2023 aos moradores. A mesma incorporadora assumiu a obra de revitalização do Hotel Everest, porém os trabalhos não foram iniciados. Um outro projeto está sendo desenhado para o espaço.



