
No palco The Next Big Thing do South Summit Brazil, um painel realizado na manhã desta sexta-feira (27) colocou em perspectiva a transformação dos grandes eventos em plataformas de entretenimento, cultura e negócios.
Participaram da conversa Caroline Torma, diretora-executiva de Marketing e Entretenimento do Grupo RBS, e Francisco Mattos, diretor-executivo da Fórmula 1 e da MotoGP. A mediação foi feita por Rafael Lemos, CEO da Uhuu.com.
Intitulado O Negócio da Emoção: Como os Eventos Constroem Engajamento e Moldam Culturas, o painel debateu como eventos deixaram de ser apenas encontros pontuais para se tornarem ecossistemas complexos, capazes de gerar valor econômico, impacto cultural e conexão emocional duradoura com o público.
South Summit 2026
A ideia de "gerar conexões" ganha um significado mais profundo quando aplicada a eventos de grande escala, a exemplo do Planeta Atlântida, ressaltou Caroline:
— São conexões reais que fazem o Planeta Atlântida ser o que ele é há 30 anos. É um projeto multigeracional, que tem muitos públicos novos que vivem essa experiência com a gente.
Ao relembrar a construção da edição comemorativa de 30 anos do festival, celebrada neste ano, a executiva reforçou que a escolha do conceito não foi por acaso:
— Pensamos qual seria o tema que faria sentido para um projeto como esse. Escolhemos "conexões reais". Quando estamos lá, juntos, vivendo com os amigos na chuva, sentindo aquela emoção, é algo que, hoje em dia, com toda essa tecnologia que temos, não conseguimos reproduzir.
No mesmo sentido, Mattos, com experiência à frente de algumas das maiores competições esportivas do mundo, relembrou uma campanha feita há dois anos para homenagear o legado de Ayrton Senna. Na ocasião, em Interlagos, o piloto Lewis Hamilton foi convidado para dirigir uma antiga McLaren que Senna pilotava.
— Quando o Hamilton entrou naquele carro debaixo de chuva, tal como o Senna era mestre, e deu duas voltas na pista, Interlagos ficou em absoluto silêncio para ouvir o motor. Depois era todo mundo chorando. Foi algo realmente muito emocionante e que marcou — descreveu o diretor executivo da Fórmula 1, ilustrando como o avanço digital não substitui o encontro presencial, pelo contrário, torna mais latente a necessidade da experiência física.
As ferramentas digitais, argumentou Mattos, podem e devem ser utilizadas para gerar conteúdo atrativo que vai agregar valor ao negócio e despertar o interesse, enquanto o ápice do consumo da experiência se dá na forma física.
— Em 2020, parecia que os eventos iriam diminuir, perder audiência. As coisas iriam começar a se digitalizar mais, porque todo mundo ficou preso em casa. Depois, as pessoas sentiram necessidade de socializar de novo. Não à toa que os eventos retomaram, pós-pandemia, com crescimento de 50% na audiência física — afirmou.
A valorização crescente das experiências presenciais em um mundo cada vez mais digital reflete o anseio de uma geração por memória e pertencimento, concluiu Caroline Torma:
— Quando tu consegues construir um projeto ou uma experiência que gera uma memória, é algo que tu compartilhas e mantém. A gente consegue capturar uma essência muito importante na geração Z, que é justamente essa oportunidade de fazer parte de algo. Ela se sente dona do que está vivendo.
Presente pelo quinto ano consecutivo no South Summit, o Grupo RBS é strategic media partner do evento.











