
Em 12 meses, 134 dos 450 contêineres verdes instalados na Capital tiveram de ser substituídos por terem sido queimados, o que resultou na troca de praticamente um terço dos equipamentos.
A prefeitura arcou com um prejuízo de R$ 2,6 milhões — o contrato prevê que danos aos contêineres são de responsabilidade do poder público e não da empresa contratada.
Mais da metade dos casos se concentra na Cidade Baixa, onde 72 contêineres foram vandalizados. O Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) diz ter sido surpreendido por essas ocorrências, e afirma estar avaliando soluções para reduzir o problema.
— Estamos colocando esses contêineres próximos a câmeras para trazer mais segurança e inibir esses atos criminosos. A Polícia Civil está fazendo as investigações junto com a Guarda Municipal. E ainda a nossa equipe técnica está fazendo uma análise para trazer alguma alternativa. Mas ainda está na fase de estudos — diz Carlos Hundertmarker, diretor do DMLU.
Investigação e o caso dos catadores
Segundo o delegado Paulo Cesar Jardim, da 1ª Delegacia da Polícia Civil, que investiga grande parte dos episódios, os autores dos incêndios costumam ser, em sua maioria, pessoas em situação de rua, mas disse ser difícil identificar uma motivação.
— São ações imprevisíveis, é difícil saber o que motiva cada um.
Já para o comandante da Guarda Municipal, Marcelo Nascimento, existe uma relação das queimas com a ação de catadores informais.
— Nós acreditamos que tudo gira em torno da dificuldade daquelas pessoas que recolhem o lixo irregularmente para poder fazer a separação e a reciclagem desse material. Pelo conteúdo do material, e pelos horários que essas incidências ocorrem (geralmente à noite), quando essas pessoas, em sua maioria, costuma chegar antes do recolhimento regular do lixo, tudo leva a crer que ela tenta ter acesso a esse material, não consegue e num ato de revolta coloca fogo — aponta.
Questionado, o diretor o DMLU negou que os atos sejam provocados por catadores informais, que buscam maneiras de acessar os materiais contidos no contêiner.
— Tem casos de pessoas utilizando drogas dentro destes contêineres, acendendo um cigarro, cai a cinza dentro de um contêiner que só tem resíduos recicláveis, papelão, plástico, objetos que queimam com muita facilidade. Temos outros vídeos, que uma pessoa pega um isqueiro e passa por dois, três e queima os contêineres. Então são atos criminosos que pessoas fizeram ao longo desse tempo, mas não é orquestrado — avalia.
O engenheiro especializado em resíduos Geraldo Reichert também acredita que a má gestão da informalidade é o fator que mais prejudica a política da coleta mecanizada, que ele avalia como necessária.
— Essa é uma tendência que eu considero sem volta e saudável. O caminho do manejo de resíduos passa pela adoação dos containers, tanto para o resíduo orgânico ou misto, quanto para o resíduo seletivo, Em Porto Alegre, especificamente nos últimos anos, existe uma relação extremamente conflituosa entre o poder público e esses catadores. Essa disputa, precisa ser melhor conduzida pelo poder público.
Os contêineres de resíduo orgânico, feitos de metal e mais resistentes do que o plástico, possuem um índice inferior de substituições. Foram apenas 60 casos em um total de 2.750 equipamentos. Estas estruturas possuem uma abertura estilo boca de lobo para restringir o manejo.



