Após três anos em obras, um dos mais emblemáticos marcos arquitetônicos e históricos de Porto Alegre, o Viaduto Otávio Rocha está com sua revitalização quase concluída. Na sexta-feira (6), as escadarias do passeio Primavera – no sentido da Rua Duque de Caxias em direção à Rua Coronel Fernando Machado – foram liberadas.
A revitalização começou no fim de 2022, com prazo de conclusão estabelecido em 18 meses, o que não foi cumprido. Depois, a data de entrega foi empurrada para fevereiro do ano passado, o que também não se efetivou.
Neste momento, faltam reparos no revestimento em cirex, arremates de pintura, limpeza geral dos espaços e desmonte do canteiro de obras. Porém, as quatro escadarias internas ainda permanecem com tapumes. Conforme previsão da prefeitura, o viaduto será totalmente liberado até o fim deste mês.

O longo período de obras causou transtornos para moradores e comerciantes do entorno. Na manhã deste sábado (7), o pintor aposentado Alberto Perin, 60 anos, caminhava próximo do trecho da escadaria recém-entregue.
— Foi muita demora e incômodo para o fluxo de pessoas. Tivemos de transitar praticamente no meio dos carros. Podia acontecer algum acidente grave também — avalia.
Trabalhadores da empresa Concrejato, encarregada pelo serviço, atuaram até nos domingos para acelerar a revitalização. Há três meses, foram concluídos os calçamentos nas esquinas da Borges de Medeiros com a Jerônimo Coelho.
Na ocasião, no lado do viaduto situado junto à Fernando Machado, tapumes foram recuados para liberar parte da calçada para os pedestres. Antes mesmo da entrega, o viaduto já foi alvo de pichadores.
A técnica em enfermagem Sirinete Lopes Fernandes, 47, também mora nas imediações do viaduto. Ela passeava com um cãozinho na esquina da Borges de Medeiros com a Fernando Machado.
— Realmente, (a obra) dificultou muito a passagem. E de se sentir também inseguro, principalmente em relação ao trânsito. É um alívio pensar nessa liberação — afirma.
Um total de 342 lâmpadas em LED asseguram a iluminação do viaduto e proporcionam economia de 50%, segundo a prefeitura. Estão instaladas no piso da Avenida Borges de Medeiros e nos arcos do elevado. À noite, os pilares e as portas das lojas ficam iluminados por lâmpadas de cor quente. E os postes históricos também foram reativados.

O comerciante Paulo Henrique Domingues Miranda, 58, possui um estabelecimento comercial a poucos metros do viaduto.
— A situação foi muito ruim e crítica. Ficou tudo parado. E não vão entregar até o final do mês — acredita.
— Impactou não só no meu (ponto comercial), mas nos demais também. Está difícil — acrescenta.

Há 30 anos, o comerciante Deuclides Vieira, 65, tem uma lavanderia no passeio Outono — sentido da Rua Duque de Caxias em direção à Rua Jerônimo Coelho. O acesso onde fica o seu estabelecimento já está liberado, mas ele chegou a precisar fechar por quatro dias.
— Foi terrível, mas agora eu acho que vai ficar bem melhor. Espero que terminem no fim do mês. É um sofrimento, mas temos que aguentar — desabafa.
História
O Viaduto Otávio Rocha foi construído entre 1928 e 1932, quando foi inaugurado. Foi concebido a partir da necessidade da cidade de contar com uma rua que conectasse as zonas leste, sul e central da Capital.
Em 1927, o projeto para a construção foi aprovado. No ano posterior, começaram as desapropriações necessárias e o morro que existia na área foi implodido para a abertura do viaduto. Em ambos os lados foram edificadas escadarias de acesso até o nível superior.
Na época, a abertura da Borges de Medeiros encurtou em 20 minutos o trajeto do bonde do Centro até os bairros Menino Deus, Glória, Teresópolis e Partenon. Antes, o motorneiro era obrigado a contornar toda a área central pelos lados da Usina do Gasômetro, o que tornava o processo de deslocamento mais lento.
A construção do viaduto foi tombada como patrimônio histórico cultural em outubro de 1988. A revitalização atual está sendo executada com recursos recebidos da Corporação Andina de Fomento (CAF) para recuperar a orla do Guaíba. Já foram investidos R$ 19 milhões. Atualmente, o viaduto é um tradicional ponto de lazer e de encontro, especialmente nos bares existentes em diferentes pontos da escadaria.
