
Após um ano marcado por efeitos da maior enchente registrada no Rio Grande do Sul, o mercado imobiliário mostrou sinais de otimismo em Porto Alegre. Mesmo com pequeno recuo no volume de vendas e estabilidade nos valores, o número de lançamentos cresceu 17% na Capital em 2025.
Bairros como Moinhos de Vento e Centro Histórico lideram esse avanço no âmbito de novos negócios. No perfil de imóveis, a ponta é ocupada por unidades mais compactas.
- No acumulado de 2025, Porto Alegre registrou o lançamento de 3.340 unidades, um aumento de 17% ante 2024 (2.848).
- Levando em conta apenas apartamentos residenciais, que ocupam a maior parte do bolo, a alta é de 16%, com o total lançado saltando de 2.733 para 3.174 na comparação entre os dois anos.
- Do ponto de vista financeiro, o valor geral de vendas (VGV), o total de lançamentos avançou de R$ 2,6 bilhões em 2024 para R$ 3,9 bilhões em 2025, um aumento de 50%.
O levantamento faz parte do Panorama do Mercado Imobiliário, produzido pelo Sindicato das Indústrias da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS) em parceria com a Alphaplan Inteligência em Pesquisas e a Órulo.
O presidente do Sinduscon-RS, Claudio Teitelbaum, afirma que essa alta está ligada a uma série de medidas, como comparação com uma base "deprimida" e otimismo:
— A gente vê que tem um pouco dessa conjunção de três fatores. A primeira é a retomada da confiança pós-enchente. A segunda são questões ligadas à futura redução da taxa de juro. Já a terceira é a proximidade do ano eleitoral, que sempre é um bom ano de venda de imóveis, muito por uma proteção de capital que as pessoas fazem.
Bairros
Fazendo o recorte por bairros, Moinhos de Vento, Menino Deus e Centro Histórico lideram em número de unidades lançadas, concentrando 42% do total. Já do ponto de vista de VGV, Moinhos de Vento segue na ponta, seguido por Bela Vista e Auxiliadora. O detalhamento por bairros considera apenas apartamentos.
O presidente do Sinduscon-RS atribui esse movimento a uma diversificação por parte do setor, que volta suas estratégias novamente para algumas regiões que estavam desfalcadas do ponto de vista de novos empreendimentos:
— O Moinhos de Vento e o Centro Histórico são bairros que ficaram muito tempo sem lançamentos. Isso aí mostra uma diversificação. As empresas estão acreditando nisso ao encontrar alguns bairros um pouco mais saturados. O Petrópolis é um bairro que historicamente sempre figurou entre os top cinco, tanto de lançamentos quanto de vendas.
Lançamentos
- São empreendimentos, na maioria dos casos, ainda na fase de projeto ou início das obras, que são comercializados antes de estarem prontos.
- Negócios com registro de incorporação que são postos à venda no mercado. Existem casos de unidades já prontas, mas costumam ser minoria.
Tipos de imóveis lançados
O levantamento do Sinduscon-RS aponta os studios e os imóveis de três dormitórios como os modelos com maior número de lançamentos, levando em conta o total de unidades. Somente os studios ocupam quase a metade do total.
O presidente do Sinduscon destaca que o principal perfil de comprador de studio são investidores. Já no âmbito dos três dormitórios, a maior parte dos compradores é formada por pessoas que miram moradia, como os casos de clientes que buscam migrar para imóveis com espaço maior.
O professor Alberto Ajzental, coordenador do curso de Negócios Imobiliários da Fundação Getulio Vargas (FGV), afirma que o avanço no número de lançamentos, principalmente no âmbito de lofts, também está ligado aos incentivos do governo. Pessoas com menor poder aquisitivo miram nesse tipo de imóvel. Já no caso das unidades de três dormitórios, é um ramo que pega clientes que não sofrem de forma expressiva com problemas de financiamento e juro alto segundo o especialista:
— Por que você compra o imóvel pequeno? Por incentivo do governo, mas também porque é o que dá para comprar. O grosso da população, com o incentivo do governo, vai para esse tipo de produto. O governo ampliou os valores do Minha Casa, Minha Vida, entrando numa classe média para ajudar, porque quem mais está sofrendo (com problemas de financiamento) é a classe média. Quem é rico não tem esse problema.
Vendas
- Do ponto de vista de vendas, 2025 apresentou retração. Foram comercializadas 4.225 unidades em 2025 ante 4.490 unidades no ano anterior. Um recuo de 5,9% em volume.
- O Sinduscon-RS atribui isso a uma leve queda na busca por imóveis como investimentos e pessoas segurando a compra na espera de mudança no juro.
- No âmbito de valores, levando em conta o VGV, os dois anos mantiveram praticamente o mesmo patamar, com R$ 4,8 bilhões, segundo a pesquisa.
Futuro
Fatores como a faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida, que entrou em vigor no ano passado e beneficia famílias com renda bruta de até R$ 12 mil ao mês, e a queda do juro básico, já antecipada pelo Banco Central, criam ambiente para um mercado ainda aquecido.
— A gente acredita ainda num leve crescimento esse ano. A gente vem de três anos de praticamente estabilidade ao redor desses R$ 5 bilhões. Então, são valores bem próximos de vendas e a gente acredita num crescimento em VGV, principalmente porque observamos já nos últimos meses uma recomposição, um aumento no preço de venda dos imóveis — comenta Claudio Teitelbaum.
No panorama nacional, o professor Alberto Ajzental também acredita em um ano aquecido para o mercado imobiliário diante desses movimentos.
No caso de Porto Alegre, ele afirma que o grande número de lançamentos pode oferecer um certo risco às incorporadoras, porque é preciso ver como o mercado vai reagir a uma superoferta de unidades nos próximos anos. Dados dos primeiros meses do ano vão mensurar melhor como estão as estratégias das empresas, segundo o docente.
Para os compradores, o cenário pode ser mais favorável, porque terão maior número de opções prontas, em construção ou lançadas, conforme Ajzental.



