— É como estar em uma festa de criança — diz a secretária escolar Poliana Muniz, 53 anos, resumindo a experiência de quem entra no Brigadeiros da Li, no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre.
Na confeitaria, localizada no número 1.345 da rua Lima e Silva, o público encontra um formato pouco comum: um rodízio de brigadeiros servidos à vontade, acompanhados de salgadadinhos fritos e assados, cachorrinho-quente e batata frita.
Pelo valor de R$ 54,90, é possível experimentar 25 sabores de doces, entre opções fixas do cardápio e variações sazonais. Já as bebidas são cobradas à parte. O funcionamento é de sexta a domingo — nos demais dias da semana, a loja tem apenas atendimento a la carte.
O rodízio foi criado em outubro do ano passado pela confeiteira Liandra Winck, 26 anos, natural de Santa Rosa, no noroeste do Estado. Segundo ela, a ideia surgiu enquanto produzia uma leva de brigadeiros de banana — opção que fazia parte de seu cardápio de encomendas, mas raramente era pedida pelos clientes.

— Eu tinha mais de 50 opções de brigadeiros no cardápio, mas notava que os clientes tinham medo de arriscar nos sabores mais diferentes. Mas, quando alguém experimentava, acabava gostando e pedindo sempre. Foi quando pensei em fazer algo para que as pessoas pudessem provar todos esses sabores — conta.
Venda de doces na rua
A história da empreendedora, contudo, começou bem antes da criação do rodízio. Ainda adolescente, quando morava em Santa Rosa, ela lembra que costumava levar docinhos para as festas da escola, o que sempre lhe rendia elogios.
Anos mais tarde, já morando em Porto Alegre para cursar Engenharia de Minas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), passou a vender brigadeiros na rua e na universidade para complementar a renda. A demanda pelos doces produzidos artesanalmente cresceu tanto que Liandra decidiu apostar todas as fichas na confeitaria.
— Eu tentava conciliar a faculdade com as vendas, mas chegou um momento em que precisei escolher. A ficha caiu e percebi que não me via em outra profissão que não fosse a confeitaria — afirma.
O negócio, inicialmente tocado dentro do apartamento onde Liandra morava, enfrentou um teste de resistência durante a pandemia.
Com muitas encomendas canceladas devido a suspensão dos eventos, ela passou a apostar no delivery. As vendas estouraram no formato de tele-entregas e a primeira loja física foi aberta em novembro de 2020, em um ponto discreto.
Expansão impulsionada pelo rodízio
Conforme lembra Liandra, o movimento da confeitaria seguiu tímido até o lançamento do rodízio, que trouxe enorme projeção ao negócio.
No primeiro final de semana, apenas brigadeiros foram servidos. A inclusão dos salgadinhos veio por sugestão dos próprios clientes e foi implementada já na semana seguinte, consolidando o modelo "festa de criança" e aumentando expressivamente o movimento no local.
— O rodízio mudou tudo para nós. Antes, às vezes cinco clientes entravam na loja em um dia de trabalho. Hoje, chegamos perto de 500 pessoas atendidas por dia no rodízio. Foi uma mudança da água para o vinho. Ampliamos a loja e saímos de uma equipe de apenas três pessoas para 26 nos finais de semana — diz Liandra.
Os números de produção também ajudam a dimensionar o crescimento: são mais de 400 quilos de leite condensado utilizados por semana e seis panelas automatizadas mexendo brigadeiros quase sem parar, além de uma equipe de cozinha ampliada, para dar conta do preparo dos doces e sagados, todos feitos no local.

Entre os 25 sabores de brigadeiro oferecidos no rodízio, alguns se destacam pela originalidade. Mirtilo, milho, queijo com goiabada e caramelo figuram entre os mais "diferentões". Mas o preferido dos clientes é o bombom de morango, que entra de forma sazonal no cardápio e chega a ter 500 unidades consumidas por dia, quando disponível.
Ainda assim, segundo Liandra, os clássicos seguem firmes entre as escolhas do público. Brigadeiro tradicional, branquinho, casadinho, prestígio e beijinho são fixos no cardápio e também estão entre os mais pedidos.
— Estou sempre tentando inovar e criar sabores diferentes. Quero que as pessoas se surpreendam — afirma a confeiteira.
Sucesso entre o público
Entre o público, a recepção é a melhor possível. Quando a reportagem visitou o local, no último domingo (15), a secretária escolar Poliana Muniz aproveitava o rodízio ao lado do marido, Henrique Muniz, e do casal de amigos Elisiane Almeida e Anderson Schimidtt.
Com a ida à praia cancelada por causa da previsão de chuva daquele final de semana, o tradicional almoço de domingo do grupo ficou por conta do Brigadeiros da Li.
— É uma experiência muito boa, tudo é delicioso e preparado com capricho. Parece mesmo festa de criança, com muita variedade e tudo à vontade — relata Poliana, que já esteve outras vezes no local.
Conforme Liandra, a logística para manter o padrão de qualidade exige ritmo intenso.
— Eu sou a primeira a chegar e a última a sair. Trabalho na produção dos doces, no WhatsApp, na gestão. Meu marido cuida da parte administrativa e minha mãe comanda a produção dos salgados. Crescemos, mas continuamos sendo um negócio familiar — afirma.
Apesar da expansão, ela diz que o objetivo permanece o mesmo de quando enrolava brigadeiros sozinha no apartamento:
— Quero ver as pessoas felizes comendo os meus doces.
Como funciona o rodízio
- Atendimento: sextas-feiras, das 18h às 23h, e sábados e domingos, das 14 às 22h
- Valor: R$ 54,90 para adultos e R$ 29,90 para crianças de até 10 anos
- Cardápio: 25 sabores de brigadeiros + salgadinhos fritos e assados, cachorrinho quente e batata frita
- Endereço: Rua Lima e Silva, 1.345, Cidade Baixa


