
Após anos em expansão em Porto Alegre, a rede de lojas de conveniência Alegrow encerrou unidades em pontos emblemáticos da cidade. A marca ficou conhecida pelas operações instaladas em contêineres. Recentemente, inaugurou um complexo no terreno de um antigo posto de combustíveis ao lado da Redenção — que será mantido.
Os fechamentos ocorrem em pontos que registravam resultados deficitários, afirma a Alegrow em nota enviada à reportagem. São eles:
- Uma loja sob o Viaduto Loureiro da Silva, entre as avenidas Salgado Filho e João Pessoa, no Centro Histórico
- A unidade no trecho 1 da orla do Guaíba
Já a operação no Cais Embarcadero será encerrada nos próximos dias.
"Após a enchente que atingiu a cidade em 2024, diversas operações passaram a registrar resultados deficitários contínuos", diz trecho da nota. "Apesar dos investimentos e esforços realizados por mais de um ano para manter em funcionamento, poucas conseguiram recuperar a rentabilidade anterior."
Investimentos em viaduto
A operação no Viaduto Loureiro da Silva foi instalada em 2022, sendo uma das primeiras parcerias público-privadas para adoção de viadutos na Capital.
Neste modelo, a empresa pode explorar os espaços comercialmente sem precisar pagar aluguel. Na época, a Alegrow investiu quase R$ 300 mil para revitalizar e iluminar o espaço e mais R$ 400 mil na estrutura da loja de conveniência.
Frequentadores ouvidos pela reportagem lamentam a saída da rede do local. Depois que a Alegrow se instalou no viaduto, dizem eles, a sensação de segurança havia aumentado na região, onde pessoas aguardam seus ônibus.
— Foi só eles (Alegrow) saírem que voltou a ficar feio. Tem muito morador de rua rondando. Esses dias, um deles ameaçou uma moça com uma faca em plena luz do dia — diz a vendedora Simone Gomes, 44 anos, enquanto aguarda por seu ônibus no local.
Saída da Orla
O fechamento da loja da Alegrow no trecho 1 da orla do Guaíba decepcionou o corredor Thiago Meira, 29. Inaugurado em 2022, o ponto havia se tornado um pit stop depois de seus exercícios.
— Eles tinham bebidas a um preço justo, então sempre comprava água ou tomava um café aqui. Agora, estamos sem essa opção na Orla — diz Meira.
Com a loja fechada desde o mês passado, a Alegrow chegou a comunicar na semana passada que reavaliaria a abertura da unidade. Contudo, nesta segunda-feira (9), decidiu que a operação não retornará ao espaço.
Ponto no Embarcadero começa a ser esvaziado

Inaugurada um mês antes da enchente de maio de 2024, a loja da Alegrow do Cais Embarcadero resistiu à cheia, mas não à queda no faturamento depois da tragédia climática. A operação no complexo junto ao Guaíba será encerrada nos próximos dias.
Os produtos começaram a ser retirados das prateleiras na semana passada e o ponto seria entregue na segunda-feira. Quando inaugurada, a loja tinha espaço para festas no topo do contêiner.
Lojas ainda em operação
Também atingida pela cheia, a loja da Alegrow na Travessa Mário Cinco Paus nem chegou a ser reaberta depois que a água baixou.
A Alegrow foi criada em 2022 pela rede Farroupilha, de postos de combustível. Ainda existem duas lojas da marca no Bom Fim, uma no Instituto Caldeira e outras nos postos de combustível do grupo.

Planos para os espaços vagos
Segundo o secretário municipal de Parcerias de Porto Alegre, Giuseppe Riesgo, um edital para chamamento de empresas interessadas em adotar o espaço no Viaduto Loureiro da Silva está sendo elaborado.
— Já estamos trabalhando internamente para tratar do viaduto, mas sem prazo ainda — diz Riesgo. — A Alegrow ainda tem que remover o contêiner, isso não é responsabilidade da prefeitura.
A GAM 3 Parks, concessionária responsável pelo trecho 1 da Orla, diz que já negocia com outra empresa que assumirá o espaço deixado pela Alegrow. A mesma estrutura passará por reformas para ser utilizada pela nova marca.
No entorno da loja, uma outra obra de melhorias está sendo realizada por uma empresa de transporte por aplicativo. A grama, que estava estragada, foi trocada, e novos mobiliários serão instalados no local.
Sobre o ponto vago da Alegrow no Cais Embarcadero, a gestão do complexo diz que não comenta negociações internas.



