Uma figueira enroscada em uma tamareira, um eucalipto com um cupinzeiro e uma melaleuca com tronco que lembra cortiça. Essas são algumas espécies curiosas que podem ser vistas no Parque Farroupilha (Redenção), em Porto Alegre.
Motivada pela publicação do diagnóstico da população arbórea do parque pela prefeitura de Porto Alegre (acesse o documento aqui), a reportagem de Zero Hora foi conhecer três árvores exóticas. O guia foi o engenheiro agrônomo Diogo Del Ré, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus).
O documento divulgado pela prefeitura aponta que a Redenção tem mais de 6 mil árvores de 260 espécies. Trata-se de um espaço onde é possível contemplar e conhecer uma variedade de vegetais nativos e exóticos.
— Estamos sempre plantando novas árvores, pois sempre há perdas em função de temporais. Foram 50 árvores plantadas em 2024 e 2025 — afirma Del Ré. — O parque tem algumas matrizes (conhecidas como plantas-mãe) que só existem aqui.
Figueira enroscada em tamareira
A primeira árvore visitada foi uma figueira que fica entre o antigo Orquidário e o lago, próximo do terminal dos pedalinhos. O vegetal nativo pode ser vislumbrado todo enroscado em torno de uma exótica tamareira (palmeira de origem árabe encontrada em regiões desérticas).
— Essa é uma figueira mata-pau. Esse comportamento (de se enroscar) acontece no meio ambiente. Um pássaro depositou uma semente lá em cima (da tamareira), a figueira começou a germinar, já se estabeleceu e colocou as raízes no chão. A tamareira já morreu, porque acabou sendo sufocada — explica Del Ré.
Conforme o especialista, apesar de já estar morta, a tamareira não oferece riscos para quem circula pelas imediações, e o motivo é exatamente a ocupação do espaço pela figueira, que a sustenta verticalmente.
Eucalipto com cupinzeiro
A segunda árvore observada pela reportagem foi um robusto eucalipto exótico. Localizado perto do tronco fossilizado que existe às margens do lago, o eucalipto exibe um saliente calombo. Trata-se de um cupinzeiro, estrutura que serve de abrigo para cupins.
— Foi construído por cupins arborícolas, como a gente chama. Instalaram-se ali e estão atuando sobre o capim vegetal e as árvores do entorno — explica Del Ré.
O engenheiro agrônomo acrescenta que os cupinzeiros são comuns no meio urbano:
— Os cupins se adaptam muito bem aos eucaliptos. Dependendo do nível de infestação, não prejudicam significativamente o vegetal.
Melaleuca com tronco que lembra cortiça
O terceiro exemplar visitado é uma melaleuca, planta nativa da costa subtropical nordeste da Austrália — e, portanto, exótica no Brasil. Fica no mesmo corredor de passeio das demais (porém, mais distante) e tem identificação em uma pequena placa de metal afixada em um toco vegetal ao lado.
O tronco da melaleuca parece ser de cortiça e tem consistência macia. As camadas saem facilmente, como se fossem cascas de fruta.
O óleo de melaleuca é utilizado na medicina e auxilia no tratamento contra acne, coceira, irritação na pele e fungos nas unhas. A árvore também é melífera, o que acaba atraindo abelhas.
— Ela tem como característica esse tronco maleável, que parece um isopor. São exemplares pouco comuns na cidade — afirma Del Ré.



