
Porto Alegre já registra, em 2026, sete pessoas mortas em razão de acidentes com moto. Conforme o balanço da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), as vítimas foram cinco motociclistas e dois pedestres idosos, que foram atropelados. O número já representa, em 22 dias, toda a média mensal de mortes envolvendo esse tipo de veículo na comparação a 2025.
O óbito mais recente foi registrado na terça-feira (20), quando um motociclista bateu de frente em um ônibus que trafegava no corredor da Avenida João Pessoa. A moto trafegava em alta velocidade pelo corredor exclusivo de ônibus, na contramão.
Em entrevista ao Gaúcha+ nesta quinta (22), o diretor-presidente da EPTC, Pedro Bisch Neto, avaliou que o cenário de mortes tem pouca relação com o aumento dos serviços de telentregas por motoboys na Capital.
— A gente sabe que existe essa pressão (das entregas), está na natureza do trabalho que eles fazem, mas eu não diria que ela é determinante. O determinante é a imprudência como um todo. É isso que explica, independente se estava trabalhando ou não. Aliás, pelo número de motociclistas que trabalham em aplicativos, a proporção não é correspondente — afirma Bisch Neto.
Segundo o diretor-presidente, as motos representam apenas 10% da frota de 900 mil veículos de Porto Alegre. Em 2025, a EPTC aponta que as motocicletas tiveram participação em 45 mortes no trânsito — incluindo condutores, caronas e pedestres —, o que representou 53% do total de óbitos. Entre janeiro e dezembro de 2025, 84 pessoas morreram no trânsito de Porto Alegre.
Caetanos e motofaixas
Para tentar reduzir os números envolvendo acidentes de trânsito com motociclistas, a prefeitura aposta em estratégias como a instalação de caetanos, radares que multam quem ultrapassa o sinal vermelho. Na entrevista, o diretor-presidente da EPTC destacou que 15 cruzamentos de Porto Alegre contarão com os radares em até quatro meses.
Além disso, a prefeitura ainda avalia a possibilidade de colocação de mais motofaixas em Porto Alegre. Uma experiência já ocorre na Avenida Assis Brasil, na Zona Norte.
— Achamos que é uma tendência muito positiva. Já pedimos autorização para o Senatran. Como a motofaixa ainda não está regulamentada no país, a autorização tem que ser caso a caso — explica Pedro Bisch Neto.





