
A prefeitura de Porto Alegre vai leiloar um de seus maiores prédios no Centro Histórico. A estrutura de 16 andares era usada pela Secretaria Municipal de Educação (Smed) e fica nos números 680 e 686 da Rua dos Andradas. Os lances partem de R$ 12,4 milhões.
A data do certame ainda não está marcada, mas o edital com as regras da disputa deve ser publicado no Diário Oficial de Porto Alegre (Dopa) em fevereiro. Vencerá o leilão quem der o maior lance, que poderá ser pago em até 12 vezes.
Interessados já procuraram o diretor de Patrimônio de Porto Alegre, Tomás Holmer, em busca de informações.
— O prédio está em boas condições, mas precisa de algumas reformas. A Smed fez um orçamento para reformar, mas desistiu. Não tinha tempo para esperar a reforma e seguir trabalhando — diz Holmer.
Recentemente, os servidores da Secretaria Municipal da Educação foram transferidos para um prédio na Rua Riachuelo, também no Centro Histórico. A estrutura pertence ao curso de idiomas Cultural, que está alugando o edifício para a prefeitura.
O valor da venda do edifício na Andradas entrará no Fundo Municipal de Habitação de Interesse Social, e será usado para bancar a construção de um loteamento com mais de 250 moradias sociais no bairro Humaitá.
Localização privilegiada
O edifício que irá à leilão na Andradas fica em uma área valorizada do Centro Histórico. Na quadra em que está localizado, há forte presença de restaurantes — movimentados tanto no dia como na noite. Também há oferta de serviços, atividades culturais e supermercado.
O edifício tem área construída de aproximadamente 6,8 mil metros quadrados, sendo que cada laje passa dos 550 metros quadrados. Nos andares mais altos, se tem vista para o Guaíba.
Quem for comprá-lo, poderá adaptar os escritórios para apartamentos, à exemplo do que acontece em outros edifícios no bairro. Há, inclusive, incentivos da prefeitura para que isso seja feito.
O térreo do prédio foi atingido pela enchente de maio de 2024, mas passou por reforma para recuperação. Servidores da Smed inclusive seguem atuando no espaço. Motivo: evitar invasões.
— Seguiremos atendendo parcialmente ali para o prédio não ficar vazio. Teve um outro prédio para o qual anunciamos leilão na Andradas que logo em seguida foi invadido. Os portões estavam soldados, mas escalaram e entraram pela janela do segundo andar — diz o diretor de Patrimônio de Porto Alegre.
"Refrofit" virou moda no Centro
A moda de reformar prédios comerciais (com escritórios) e transformá-los em moradias chegou no Centro Histórico — a exemplo do que acontece há anos em cidades europeias e na América Latina. Os incorporadores chamam isso de "retrofit": jargão do setor imobiliário para reforma de edifícios.
Um dos que mais aposta nestas reformas no Centro Histórico é o empresário Kleber Sobrinho. Ele já finalizou a revitalização do prédio Cais Rooftop, conhecido ter sido o abrigo de criminosos que cavaram túnel para assaltar bancos. Outro projeto de reforma já está sendo tocado por ele no edifício ao lado.
— Essa área da Andradas pode trazer incrementos para toda a região central através de projetos no entorno. Ainda veremos mais projetos de retrofit neste eixo, assim como também de novos prédios. Há outros edifícios nessas quadras que podem ser reformados. Em cinco anos, a história dessa rua vai ser outra — diz Sobrinho.

Ainda há outros exemplos no bairro. Na Rua Sete de Setembro, um grupo de Santa Catarina vai reformar o antigo Hotel Nacional, fechado há décadas após um incêndio. A estrutura ganhará studios e apartamentos de até dois quartos.
Na mesma rua, a Belmondo, do empresário Bruno Zaffari, comprou um edifício inteiro junto à Praça da Alfândega para reformá-lo. A ideia, contudo, é mantê-lo como prédio comercial.
Em frente à Praça Otávio Rocha, o antigo hotel Plazinha levou anos para ser transformado em moradia, mas foi entregue em 2023 aos moradores. A mesma incorporadora assumiu a obra de revitalização do hotel Everest, porém os trabalhos não foram iniciados. Um outro projeto está sendo desenhado para o espaço.



