Movimentos sociais, centrais sindicais e partidos de esquerda realizaram nesta quinta-feira (8) uma manifestação em defesa da democracia no Centro Histórico de Porto Alegre. A mobilização marca os três anos da invasão às sedes dos Três Poderes, em Brasília, ocorrida em 8 de janeiro de 2023.
O protesto começou por volta das 17h30min na Esquina Democrática, tradicional ponto de mobilização política da Capital, e seguiu em direção ao Largo Zumbi dos Palmares.
As principais pautas da ação abordaram a defesa da democracia e a contrariedade à anistia para os condenados por envolvimento na trama golpista, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Intitulada "Soberania contra o golpismo", a manifestação foi convocada por PT, PCdoB, PSB, PDT, PSOL, PV, Rede e Avante. Entidades de trabalhadores e estudantes também compareceram.
— É de suma importância estar presente nesse ato para mostrar a nossa indignação com o que aconteceu e mostrar que estamos presentes, vivos, observando o que está acontecendo. Além disso, reforçar a importância que nós damos para o nosso sistema democrático de Direito — frisou Valéria Antoniazzi, de 18 anos, estudante de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
O ato também foi marcado por menções ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela, ocorrido no último sábado (3). Os manifestantes pediram respeito à soberania dos países da América Latina. Uma bandeira dos EUA chegou a ser queimada.

— A democracia deve ser abraçada e defendida pela população todos os dias, em todo o momento. E, principalmente, a democracia precisa de memória. O que nós estamos celebrando aqui é a vitória da democracia brasileira, porque três anos atrás, quando a extrema direita brasileira atacou os Três Poderes, nós tivemos uma grande movimentação nas ruas e por isso nós conseguimos vencer esse momento — ressaltou Edegar Pretto, um dos articuladores do ato.
Mobilizações semelhantes foram convocadas para esta quinta-feira (8) em todo o Brasil.
Críticas ao PL da Dosimetria
Entre batucadas, havia quem comemorasse o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao chamado PL da Dosimetria, anunciado nesta quinta, e quem criticasse a intenção dos deputados e senadores em aprovar o projeto. A proposta reduz as penas de Jair Bolsonaro e dos demais condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por participação na tentativa de golpe de Estado e nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.
Com a formalização do veto, a proposta retorna ao Congresso, onde deputados e senadores vão analisar a decisão em sessão conjunta, podendo mantê-la ou derrubá-la. Caso o veto seja rejeitado, o texto é promulgado e passa a valer como lei. Se for mantido, a proposta é arquivada.
Para as entidades que organizaram o ato, a proposta de reduzir o tempo de cumprimento de pena em regime fechado enfraquece o combate a ações golpistas e passa sensação de impunidade.
Para o vereador de Canoas Gabriel Constantino (PT), manifestações como essa mostram o descontentamento de parte da população com decisões do Congresso que colocam em cheque a defesa da democracia:
— Hoje é para dar um recado lá para o Congresso, para os nossos deputados do Rio Grande do Sul que votaram a favor da PEC da blindagem, da dosimetria, a anistia para golpistas: a população está mobilizada. Neste ano de 2026, a gente vai estar ainda mais forte na rua defendendo a democracia e defendendo os valores democráticos aqui no Rio Grande do Sul — ressaltou, destacando que o ato também demonstra solidariedade com a Venezuela.
O que foi o 8 de Janeiro
O dia do 8 de janeiro de 2023 foi marcado pela invasão e depredação das sedes do Congresso Nacional, do STF e do Palácio do Planalto, por bolsonaristas radicais, em um dos episódios mais graves contra a democracia brasileira desde a redemocratização do país.
Investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) concluíram que o 8 de Janeiro foi cuidadosamente arquitetado para gerar o caos em Brasília e estimular as Forças Armadas a darem um golpe de Estado, para "restaurar a ordem".
Isso aconteceria com a remoção de Lula da Presidência e a prisão de ministros do STF, como pediam os manifestantes mais exaltados.
Houve falhas de segurança, tanto na prevenção como na repressão. Excursões chegaram a Brasília saídas de vários Estados, sem serem abordadas para vistoria policial. Manifestantes foram recebidos com refeições, em acampamentos montados em frente a quartéis das Forças Armadas. Codinomes e senhas (como "Festa da Selma") foram usados pelos manifestantes para organizar a investida aos prédios públicos.
Três anos após os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) já condenou mais de 800 réus pela participação no ataque às sedes dos Três Poderes.






