
A presença de ratos nas ruas do Centro Histórico, em Porto Alegre, tem assustado moradores do bairro e prejudicado o comércio. Roedores começaram a ser vistos no início desta semana na Praça da Matriz, onde a prefeitura diz ter feito uma ação para eliminá-los. Contudo, vizinhos relatam que o problema não foi resolvido.
Na quarta-feira (14), a equipe do Núcleo de Vigilância de Roedores e Vetores (NVRV), da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), diz ter realizado uma "vistoria técnica" na Praça da Matriz. A operação incluiu a aplicação de raticida em pó em sete bueiros localizados no entorno da praça e também no lado oposto da via. Depois, os buracos foram fechados utilizando terra e matéria orgânica da própria vegetação do local.
Moradora da Rua Jerônimo Coelho, a professora Juliana Carvalho, 35 anos, passeia todos os dias com sua filha na Praça da Matriz. Mesmo após a ação da prefeitura, ela diz que os ratos seguem na praça.
— A gente sempre sente um cheiro forte de urina aqui. Tem muito morador de rua se instalando na praça. Eles comem e deixam resto de comida, e assim chama os bichos — reclama Juliana.
Fernando Ritter, secretário municipal da Saúde de Porto Alegre, diz que o problema é comum nesta época do ano:
— Esses animais se concentram onde existe restos de alimento. No calor, a presença desses roedores aumenta. Eles acabam saindo para buscar alimento, então causa todo esse problema. Nosso é papel é ir para os locais e identificar quais são as fontes de alimentação. É mais uma ação de comportamento. As pessoas precisam nos ajudar a cuidar disso.
Impacto no comércio
No entorno da Praça da Matriz, um comerciante disse à reportagem de Zero Hora que um rato veio da rua e entrou em seu estabelecimento na tarde dessa quinta-feira (15). A presença do animal fez com que ele tivesse de baixar o portão com um cliente dentro do local.
— Tive que fechar minha loja. É uma "chinelagem" o que está acontecendo no Centro. Passamos o maior sufoco para achar (o rato). Pagamos imposto para se incomodar com isso? Se a Vigilância Sanitária visse isso aqui, iria nos multar por um erro da própria prefeitura — desabafa o comerciante, que não quis ser identificado.
O secretário da Saúde lamenta o ocorrido, mas pede compreensão do comerciante. Ritter diz que a prefeitura não aplica veneno para ratos nas ruas da cidade, justificando que a medida é pouco efetiva.
— Não tem como eliminar totalmente. A gente monitora toda a cidade. Vamos trabalhando a partir de onde vá aparecendo gravidades locais. Não gostaríamos que ratos invadissem os estabelecimentos, mas temos trabalhado no sentido de reduzir este processo. Pedimos desculpa, mas tentamos reduzir o máximo que é possível diante deste cenário que depende do comportamento das pessoas — diz Ritter.
"Tamanho de capivaras"
A reportagem esteve na Praça da Matriz na manhã desta sexta-feira (16). Durante cerca de meia hora no local, não avistou roedores. Contudo, verificou os buracos cavados por eles em canteiros cercados por grades. Havia também muito lixo jogado nas plantas e um forte cheiro de urina, conforme relatado por frequentadores.
O argentino José Carlos Coutinho, 71, leva suas duas cachorrinhas para passear na praça todos os dias. Ele mora na Rua Riachuelo há 48 anos, mas diz nunca ter visto tantos ratos no local como neste Verão.
— Já vi uns ratinhos em outros anos, mas agora tem uns do tamanho de capivaras. Meus cachorros atacam eles, pois são furiosos — conta o aposentado, dando risada.
A Secretaria Municipal de Saúde orienta que tutores não permitam que cães circulem soltos nos canteiros da praça. Além do risco de exposição ao raticida em pó, há a possibilidade de contato com roedores mortos, o que pode representar perigo à saúde dos animais.
*com orientação e supervisão de Laura Becker



