
Mesmo antes de ser entregue revitalizado, o Viaduto Otávio Rocha, no Centro Histórico de Porto Alegre, voltou a receber pichações. Os primeiros rabiscos surgiram ainda em dezembro do ano passado. Nesta semana, após a retirada de tapumes, vândalos voltaram a pintar paredes próximas à Rua Fernando Machado.
Procurada na quinta-feira (29), a prefeitura garantiu que limparia os rabiscos ainda nesta semana. Contudo, nesta sexta-feira (30), o secretário municipal de Obras e Infraestrutura, André Flores, disse que o serviço será executado somente na próxima terça-feira (2), após o feriado de Navegantes, devido a uma "questão operacional".
Em dezembro, o colunista de GZH Jocimar Farina noticiou que havia uma disputa entre vândalos, valendo dinheiro, para pichar o viaduto. Até então, pequenos rabiscos estavam sendo removidos da área com rapidez pela administração pública. Na reforma, foi aplicado nas paredes do viaduto um hidrofugante, que funciona como uma espécie de "tinta antipichação". Esta cobertura não impede o vandalismo, mas facilita a limpeza.
— Lamentamos essa agressão ao patrimônio público, um ato criminoso que infelizmente se repete em muitos lugares. Acreditamos que a ocupação dos permissionários vá colaborar para constranger as depredação do patrimônio público — diz o secretário.
Por enquanto, quem remove as pichações do Viaduto Otávio Rocha é a empresa Concrejato, que executa a obra de revitalização do espaço desde 2022. Na próxima semana, um treinamento com as equipes da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos e com o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) será realizado para ensinar como é feita a limpeza da estrutura, que é tombada pelo município.
Plano para combater novas pichações
Apesar da demora para remover as pichações que surgiram nesta semana, a prefeitura promete ser mais efetiva nesses casos depois que a revitalização for entregue.
Assim como o secretário André Flores, o chefe da pasta de Planejamento e Gestão, Cezar Schirmer, acredita que a presença de negócios no viaduto afastará os vândalos. Antes da revitalização, no entanto, mesmo com lojas operando, o viaduto era tomado por pichações.
— Os gestores do espaço vão identificar os problemas, acionar a prefeitura e vamos lá resolver. Essas pichações nos pegaram em uma fase de transição. As empresas não assumiram e a prefeitura ainda não montou uma estrutura efetiva de acompanhamento desse espaço — diz Schirmer.
Um posto físico da Guarda Civil Metropolitana (antiga Guarda Municipal) chegou a ser prometido para o local, mas Schirmer diz que isso está sendo reavaliado. O secretário levanta a possibilidade de que uma empresa de segurança privada seja contratada para cuidar da estrutura.
Também serão instaladas câmeras para capturar futuras ações de vândalos e criminosos no local.
— A prefeitura seguirá responsável pela segurança externa e pela limpeza fora das lojas. Os permissionários vão cuidar dos seus espaços internos, mas para o "grosso" terá todo um trabalho da prefeitura de forma periódica e intensa — garante Schirmer.
Para o arquiteto e urbanista Anthony Ling, criador do portal Caos Planejado, as pichações no Viaduto Otávio Rocha não devem ser tratadas como um caso isolado. O especialista reforça que esses atos de vandalismo estão inseridos em um contexto urbano característico do Centro Histórico — bairro que sofre há anos com zeladoria enfraquecida.
— É tudo parte de um mesmo problema. No momento que tivermos uma política pública para de fato cuidar do espaço público, da limpeza, iluminação e manter os edifícios históricos esse tipo de situação vai se reverter. Teremos um espaço físico mais ordenado. A pichação vai começar a se tornar um fato raro, isolado e que chama atenção. Em um ambiente que está destruído, as pessoas nem notam uma pichação a mais ou a menos. Deve se trabalhar na consequência e não na causa. A causa é sistêmica — diz o urbanista.
Assim estava o viaduto antes da obra de revitalização:
Fim da obra
Para entregar a obra ainda em janeiro, o ritmo dos trabalhos ficou mais acelerado nas últimas semanas. Operários da Concrejato têm atuado até aos domingos e feriados.
Em dezembro, foram finalizados os calçamentos nas esquinas da Jerônimo Coelho e da Fernando Machado. Segundo o secretário André Flores, a obra está na fase de "arremates" e deve ser entregue "nos próximos dias".
A obra foi iniciada no final de 2022 e deveria ter ficado pronta em maio de 2024, porém sofreu com diversos atrasos por diferentes motivos. O mais recente foi a forma como o "cirex", que reveste as paredes do viaduto, foi colocado. Em algumas partes, o material está descascando e precisa ser recolocado.


