
Porto Alegre terá, pela primeira vez, um currículo próprio para o Ensino Fundamental (1º ao 9º ano). O documento foi lançado na manhã desta sexta-feira (19) e começará a ser implementado no próximo ano letivo. Até então, as escolas da Capital seguiam as diretrizes do Estado.
Segundo o secretário municipal de Educação, Leonardo Pascoal, a principal mudança será percebida pelos professores. O objetivo é orientar o planejamento e a prática pedagógica de forma única e clara. A unificação, defende Pascoal, evita que alunos que troquem de escola sintam diferenças no ensino.
— Quando um estudante sai de uma determinada escola e vai para outra, não necessariamente ele vai encontrar o mesmo trabalho pedagógico em termos de evolução dos conteúdos trabalhados, enfim, das habilidades que são trabalhadas em relação a outra escola. Então, com isso, agora a gente passa a ter uma maior uniformidade — reforça Pascoal.
Entre as novidades estão a inclusão da disciplina de Língua Espanhola, além da oferta de Estudo Religioso e da Filosofia. Também foram incorporados objetivos relacionados a Relações Étnico-Raciais e Computação em todas as áreas do conhecimento.
Para garantir a aplicação do novo currículo, os 3,5 mil professores da rede terão um turno mensal dedicado à formação presencial em escolas específicas. O treinamento prevê estudo do documento, troca de experiências e registro das práticas em diário de bordo. Ao fim do ano, cada docente deverá cumprir 40 horas de capacitação.
— Para 2025, para o início do ano, como a gente não tinha o tempo hábil de fazer o currículo, nós adotamos o referencial curricular gaúcho e fizemos o que se chama de um currículo priorizado. [..] E ao longo desse ano, então desde maio, foi sendo feita essa construção do documento curricular de Porto Alegre — explica o secretário.
O currículo poderá ser revisado conforme os resultados da implementação.
Principais mudanças
- Alinhamento nacional: documento segue a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o Referencial Curricular Gaúcho (RCG).
- Língua Espanhola: inclusão oficial do componente curricular do 6º ao 9º ano.
- Estudo Religioso e da Filosofia: disciplina reformulada para todos os anos, com foco em pensamento crítico e reflexivo.
- Avaliação escolar: mantém modelo atual com três etapas – diagnóstica, formativa e somativa – e inclui o Sistema de Avaliação Municipal da Educação Básica (Sameb-POA).
- Eixos integradores: BNCC de Computação e Educação para Relações Étnico-Raciais presentes em todas as disciplinas.
- Formação docente: professores terão encontros mensais presenciais e deverão cumprir 40 horas anuais de capacitação.
*Produção: Fernanda Axelrud




