
Lançado na segunda-feira, o programa POA Futura promete trazer melhorias e promover transformação social e urbana na Capital nos próximos quatro anos. O plano da prefeitura de Porto Alegre mobiliza R$ 7,1 bilhões.
O programa, que contará com financiadores nacionais e internacionais para a realização de mais de 300 ações, está dividido em cinco eixos:
- Resiliência e proteção (R$ 4,2 bilhões e 74 ações)
- Qualidade de vida (R$ 1,2 bilhão e 120 ações)
- Infraestrutura e mobilidade (R$ 796,1 milhões e 32 ações)
- Desenvolvimento e inclusão social (R$ 450,4 milhões e 41 ações)
- Gestão digital e integrada (R$ 382,7 milhões e 65 ações)
Em entrevista ao Gaúcha Atualidade desta terça-feira (9), o secretário municipal de Planejamento e Gestão, Cézar Schirmer, detalhou algumas das ações.
A dimensão social do projeto POA Futura se estende à construção de oito complexos que integrarão serviços de saúde, educação, lazer, cultura e assistência social.
Um exemplo de criatividade e inclusão social é o uso planejado das bacias de contenção de água da chuva, que serão construídas. Schirmer citou que um destes complexos será erguida na Zona Norte, e que, nos períodos sem chuva, o espaço será utilizado como quadra esportiva ou ginásio (não coberto), integrando a obra de drenagem a um complexo de lazer e esporte para a comunidade.
Schirmer destacou ainda que o plano prevê a alocação de R$ 80 milhões destinados especificamente à qualificação profissional. A grande mudança, segundo o secretário, reside na inversão da lógica histórica de oferta de cursos.
— Nós vamos inverter uma lógica histórica, que é o poder público oferecer cursos de qualificação. Atualmente, o cidadão vai lá, faz o curso mas não consegue emprego. Agora, a estratégia é partir da demanda do mercado. O poder público fará primeiro o levantamento das vagas reais e das empresas que necessitam de mão de obra qualificada — explica.
Schirmer ressaltou que o foco, então, é saber qual profissional é necessário.
— O curso será oferecido a um cidadão já com a perspectiva de emprego. Assim, o profissional poderá começar a trabalhar na empresa que identificou a carência enquanto ainda está fazendo o curso técnico.
Infraestrutura
O projeto destina a maior parte de seus recursos (cerca de 40 a 45%) para a área de infraestrutura e proteção contra cheias. O principal foco é garantir a segurança da cidade contra inundações, abrangendo tanto as cheias do Guaíba quanto o acúmulo de água da chuva. Para isso, o investimento visa a ampliação, reforma e reconstrução de todas as casas de bomba, o reforço e aumento dos diques, e a construção de bacias de contenção em diversas áreas, como no Quarto Distrito, além da ampliação de galerias pluviais existentes.
O projeto prevê intensificação das obras a partir do segundo semestre de 2026.
Os cinco eixos
Resiliência e proteção (R$ 4,2 bilhões e 74 ações)
Foca em projetos voltados ao saneamento, drenagem, recuperação de arroios e fortalecimento da Defesa Civil. A principal intervenção está na macrodrenagem, que prevê a modernização completa do sistema de casas de bombas, canais, polders e reservatórios. Com início estimado para 2026, esse trabalho deve ser concluído no final de 2029.
Também estão previstos, entre outros, a recuperação dos arroios Moinhos, Guabiroba e Cavalhada e obras para contenção de encostas em áreas dos bairros Glória, Morro Santana, São José e Cascata.
Outra iniciativa de destaque nesse eixos está a reestruturação da Defesa Civil, com o fortalecimento do sistema de alerta antecipado, instalação de sensores e incorporação de tecnologias de prevenção de riscos.
Qualidade de vida (R$ 1,2 bilhão e 120 ações)
O eixo de qualidade de vida conta com investimento de R$ 1,6 bilhão e reúne obras na área da educação, esporte, cultura, turismo, saúde e assistência social.
Um dos principais projetos neste pilar é a construção da Maternidade Tipo I na região do bairro Restinga, na zona sul da Capital. A maternidade deve custar R$ 50 milhões e ser concluída até 2028.
Também devem ser realizadas a construção e reforma de Centros de Especialidade, Clínicas da Família e unidades hospitalares — incluindo a reforma do Hospital de Pronto Socorro (HPS).
Neste trecho a prefeitura também prevê obras de preservação e requalificação de bens históricos da cidade, como a Confeitaria Rocco, o Museu do Paço e o entorno do Mercado Público.
Cerca de R$ 30 milhões devem ser empenhados para desenvolvimento e execução da obra do Centro de Cultura do Negro e da requalificação do Largo Zumbi dos Palmares.
Infraestrutura e mobilidade (R$ 796,1 milhões e 32 ações)
Foca na reorganização do trânsito e do transporte além da requalificação urbana. O pacote inclui obras no Centro Histórico, complementando o trabalho já realizado no Quadrilátero Central, além de recuperação de pontes e viadutos.
Um estudo setorial de transporte, com novos terminais e ampliação de ciclovias está previsto para ser feito, como incentivo à mobilidade ativa.
Dentro desse escopo a prefeitura também pretende realizar a aquisição de 100 novos ônibus elétricos, assim como a aquisição de infraestrutura para a recarga dos veículos.
Gestão digital e integrada (R$ 382,7 milhões e 65 ações)
Prevê investimentos em tecnologia, ampliação de serviços digitais, integração de sistemas e modernização da governança pública.
Entre os destaques estão a ampliação e reforço da Central de Atendimento ao Cidadão e o fortalecimento do Porto Alegre Segura, com tecnologias para ampliar a proteção da população.
Desenvolvimento e inclusão social (R$ 450,4 milhões e 41 ações)
Engloba ações para ampliar capacitações profissionais, programas de gerar renda, inclusão social e moradia. O objetivo é promover autonomia econômica às famílias e ampliar oportunidades de trabalho.
Entre as ações está a destinação de R$ 82,1 milhões em cursos e formações para o desenvolvimento de competências para inserção no mercado de trabalho.
A economia criativa e verde, com qualificação técnica e estímulo ao empreendedorismo, é outra aposta.


