
Trabalhador, atencioso, um "guri" de família: essas foram algumas definições dadas por amigos e familiares sobre a personalidade de Leonardo da Silva Couto, 30 anos. O empresário morreu no fim da tarde de quinta-feira (4), após ser atingido pela hélice de uma lancha em Porto Alegre.
Há um mês, Luísa Lima, 40 anos, abriu um restaurante ao lado da lancheria de Leonardo, localizada na Avenida Manoel Elias, na zona leste da Capital.
Na manhã desta sexta-feira (5), ela disse a Zero Hora que o empresário era uma pessoa atenciosa, que costumava frequentar o local e até indicava clientes.
— Ele era um rapaz muito esforçado, um empreendedor de sucesso, que começou de baixo e tinha um negócio sempre lotado. Era admirado por todo mundo. Não acreditamos quando soubemos da morte. É uma grande perda para todos nós — disse a empresária.
Leonardo era um dos patrocinadores do Vila Petrópolis FC, um time amador da Zona Leste, região onde ele viveu a maior parte da vida. A logomarca do negócio do empresário estampa a camisa da equipe.
— Era um guri bom de coração, que ajudava todo mundo, que cuidava da mãe do irmão, alguém que não tinha maldade nenhuma. Era um batalhador, e hoje tinha um negócio próprio por conta da luta dele. Vão ficar só boas lembranças — disse Airam Portela Pereira, 25 anos, presidente do Vila Petrópolis e amigo de Leonardo desde 2014.
O irmão do empresário usou as redes sociais para se manifestar sobre a morte. “Não existem palavras para descrever a dor que estou sentindo. Não perdi só um irmão, perdi um cara que foi meu pai”, escreveu.
Leonardo, que não tinha filhos, deixa a namorada. O velório e sepultamento dele ocorrem nesta sexta-feira no Cemitério Jardim da Paz, em Porto Alegre.

Como foi o acidente
Couto morreu após ser atingido pela hélice de uma lancha no bairro Arquipélago, em Porto Alegre, no fim da tarde de quinta-feira (4). Segundo a Polícia Civil, a embarcação foi alugada para uma festa com três casais, todos moradores da Capital.
A confraternização começou no fim da manhã e seguiu até por volta das 17h40min, quando o acidente ocorreu no atracadouro de um bar.
Segundo a investigação, três mulheres permaneceram no barco, enquanto dois homens desceram e um dos rapazes ficou embarcado.
— A investigação preliminar concluiu que o manete que estava na posição neutra foi mexido, o que fez a lancha andar para frente. Com isso, o sujeito (a vítima) caiu na água. As mulheres começaram a gritar e o homem que estava dentro da lancha se assustou e tentou reverter a manobra, mas engatou a ré e as hélices começaram a girar no sentido contrário: a lancha se moveu para trás e atingiu a vítima, que morreu na hora — explicou Pablo Rocha, delegado que atendeu a ocorrência.
O homem de 44 anos que teria mexido no manete foi preso em flagrante por homicídio. Em depoimento, ele negou ter tocado no dispositivo de controle da embarcação.
Segundo a polícia, o detido era habilitado para conduzir embarcações e fez o teste do etilômetro, que indicou positivo para a ingestão de álcool.
Já o marinheiro que tinha autorização para conduzir a lancha estava fora do barco no momento do acidente. Ele fez o teste do etilômetro, que deu negativo para o consumo de álcool.
Após prestar depoimento, foi liberado. As outras quatro testemunhas também foram ouvidas pela polícia e não foram responsabilizadas pelo caso.
O Instituto-Geral de Perícias (IGP) foi acionado para a ocorrência e o Corpo de Bombeiros Militar (CBM) fez a remoção do corpo da água.


