
A penitenciária norte-americana de Alcatraz, famosa por ter abrigado criminosos como Al Capone e George "Machine Gun" Kelly, é a inspiração de um novo empreendimento no 4º Distrito, em Porto Alegre. Trata-se do Alcatraz Bar Experience, que começou a operar em esquema soft opening no início deste mês e deve inaugurar oficialmente em março de 2026.
Localizado no número 355 da rua Almirante Barroso, em um pavilhão de 1.000m² que já abrigou a antiga fábrica da Gang, o bar aposta em uma experiência imersiva e "instagramável".
O espaço conta com diferentes cenários que remetem às estruturas da prisão dos Estados Unidos, incluindo cela, solitária, sala do diretor, parlatório, parede de registro criminal, refeitório e pátio para "banho de sol".
Também há salão com sofás, poltronas, mesas para grupos e mesas bistrô; área de drinques com balcão e banquetas; quatro camarotes que poderão ser reservados para grupos; e uma loja para a comercialização de camisetas, copos e bonés do bar.

O bar foi idealizado pelo empresário Sandro Macedo, 50 anos, que também é proprietário do Sete Gastropub, no bairro Rio Branco, e do Rock'N'Soul Café, que opera na Câmara Municipal de Porto Alegre. O investimento no novo empreendimento já ultrapassou R$ 1 milhão, conforme o proprietário.
O valor inclui mobiliário, equipamentos, reformas e reposição de perdas. Isso porque o espaço foi tomado pela água da enchente de maio de 2024 enquanto passava pelas adaptações para se transformar em bar, o que trouxe danos à estrutura e, consequentemente, adiou a finalização dos trabalhos.
Além disso, o local teve aparelhos de ar-condicionado furtados no início do ano, o que causou um prejuízo de R$ 200 mil, segundo Sandro:
— Foi um desafio atrás do outro. Só não desisti porque sou insistente e acredito muito que esse projeto pode dar certo.
Inspiração
Para a criação do bar, o empresário teve como referência iniciativas internacionais que também têm a prisão de Alcatraz como tema. É o caso do The Hole Bar, em Buenos Aires, e do Alcotraz, de Londres – onde é possível, inclusive, "passar a noite na prisão", vestindo um macacão laranja, dormindo em uma cela e convivendo com atores que interpretam guardas bastante rígidos.
Em Porto Alegre, a experiência não deve chegar a tanto. Consciente de que a temática que norteia o empreendimento é sensível e pode dividir opiniões, o proprietário demonstra cautela.
— Sabemos que esse é um tema delicado, por isso estamos tratando com cuidado. Nossa intenção é explorar o lado da brincadeira e do lúdico, não do sofrimento — explica.
Cardápio
Para fidelizar o público, Sandro aposta na “experiência completa”. A ideia é que os visitantes se divirtam com a proposta e os ambientes temáticos do bar, mas também sejam atraídos pelo atendimento afetivo e pelo cardápio diferenciado.
— Queremos nos tornar referência em gastronomia e coquetelaria, para não ficar apenas presos à questão do ambiente instagramável. Caso contrário, a pessoa vem ao bar uma vez, tira suas fotos e depois não volta mais. Queremos que o público sinta vontade de estar aqui também por outros motivos — destaca.
O cardápio prioriza pratos que podem ser preparados em tempo hábil, melhorando a experiência do cliente. Conforme o proprietário, o menu ainda é provisório e deve passar por alterações até a inauguração oficial, com a inclusão de receitas que estão em fase de teste.

Por enquanto, o bar oferece três variedades de hambúrgueres, quatro petiscos e duas sobremesas, incluindo opções vegetarianas e veganas. Os sabores remetem à culinária norte-americana do estado da Califórnia.
Já os nomes atribuídos aos pratos fazem referência ao universo criminal. Há, por exemplo, o Matsunaga Meat, um petisco com iscas de alcatra, queijo coalho, salada sunomono e farofa, ao custo de R$ 69.
Os drinques autorais – ou melhor, os “prison drinks” – também foram batizados com termos delituosos e custam, todos, R$ 40. Entre as opções estão o forte Cadeira Elétrica, com whiskey, tequila, xarope de agave, suco de limão e energético de nectarina; e o adocicado Visita Íntima, com gin, purê de morango, limão-siciliano e espumante brut.
A carta de bebidas ainda inclui drinques clássicos, como mojito, negroni e caipirinha. Também há cerveja artesanal, chopp, espumante e vinho, todos de marcas locais.
Além disso, o bar conta com um clube do whisky. A iniciativa inusitada permite que os clientes comprem uma garrafa da bebida alcoólica no bar e a deixem guardada no local para consumo em visitas futuras. Os frascos ficam armazenados em armários identificados com nome, cuja chave fica em posse do cliente.
Como visitar
A inauguração do Alcatraz Bar Experience está prevista para março, em data ainda a ser definida. Até lá, o local seguirá em esquema de soft opening, abrindo ao público somente durante eventos-teste, cujas datas serão divulgadas na página do bar no Instagram.
A decisão, conforme Sandro, vem da necessidade de treinar a equipe de colaboradores e identificar possíveis pontos de atenção antes da abertura oficial.
O proprietário afirma que não está nos planos cobrar ingresso, exceto nos dias em que o bar receber shows. O local conta com um palco e, segundo ele, artistas de gêneros diversos devem passar por ali.
— Queremos trazer atrações do rock ao pagode, para que todos sejam contemplados. Será um bar para todos os públicos — projeta.
Contudo, Sandro pondera que o empreendimento não almeja se tornar uma casa noturna. Por isso, a operação não deve se estender pela madrugada, seguindo o padrão da maioria dos estabelecimentos do 4° Distrito.

