
Um novo estudo norteará os rumos da mobilidade urbana de Porto Alegre. Em dezembro, a prefeitura lançará um edital para escolha da empresa que prestará consultoria especializada nesta área. A ideia, segundo o secretário municipal de Planejamento e Gestão, Cezar Schirmer, é que o material traga propostas para resolver gargalos antigos no trânsito da Capital.
Entre os pontos a serem avaliados está a presença dos corredores de ônibus em algumas avenidas da cidade.
— Será um estudo profundo, demorado, que envolverá a questão dos ônibus que circulam em Porto Alegre e dos que chegam da Região Metropolitana. Também vai envolver outros modais, como ônibus elétricos, trens e o VLT (modal que não está implementado na Capital). Esse estudo precede a qualquer decisão sobre retirada de corredores de ônibus em avenidas de Porto Alegre, mas é uma possibilidade que pode vir a acontecer — diz Schirmer.
O estudo, contratado via programa Centro+4D, será responsável por dois trabalhos: o Plano Setorial de Transporte Coletivo de Porto Alegre e o Estudo de Circulação do Centro Histórico e 4º Distrito. Os dois envolvem pesquisas de campo, diagnóstico da situação atual, simulação de cenários futuros e projetos funcionais.
A consultoria também apoiará a prefeitura em reuniões técnicas e eventos de participação popular, incluindo consultas e audiências públicas. O foco está nos modos prioritários de transporte previstos na Política Nacional de Mobilidade Urbana: pedestres, ciclistas e transporte coletivo.
— Para retirar os corredores (de ônibus) não basta vontade política. É uma decisão que precisa ser baseada em estudos. Os corredores ainda são importantes para o transporte entre zonas da cidade — completa o secretário municipal de Comunicação Social da prefeitura de Porto Alegre, Luiz Otávio Prates.
A Diretoria de Programas de Financiamento espera mandar em até 15 dias o edital para o setor de licitações da prefeitura. A licitação será nos moldes do regulamento do Banco Mundial, com base na melhor proposta, onde a questão técnica vale mais do que o preço oferecido pela empresa. Existe um valor de referência, mas que ainda é mantido sob sigilo.
Alternativa para os corredores de ônibus
Entre as alternativas levantadas pela prefeitura para substituir os corredores de ônibus está o Veículo Leve sobre Trilho (VLT). O trem de superfície é movido a eletricidade e é visto como uma opção sustentável para o transporte público. Conforme noticiou o colunista de GZH Jocimar Farina, um estudo sobre o sistema foi doado por um consultor à prefeitura de Porto Alegre em agosto.
Com o documento, a prefeitura poderá dar prosseguimento às ações para realizar um Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (Evtea) sobre a linha e uma Parceria Público-Privada (PPP). O objetivo é que o VLT se integre às linhas metropolitanas.
Três traçados foram apresentados ao secretário Schirmer. A linha principal, de 10,7 quilômetros, sairia do Terminal Triângulo na Avenida Assis Brasil, e passaria pelas avenidas Sertório e Farrapos, chegando até a Rua Voluntários da Pátria e se deslocando até a Praça XV, no Centro Histórico.
Ainda não há previsão de investimento ou custo ao passageiro. O que se identificou é que, assim como ocorre com a tarifa de ônibus municipal, a passagem precisará ser subsidiada para garantir a atratividade pelo transporte. O veículo poderia transportar até 560 passageiros e tem vida útil de 40 anos.
Corredor de ônibus contribuiu para a decadência da Farrapos
O estudo de mobilidade urbana é uma exigência de bancos internacionais que concederam financiamentos milionários à prefeitura para bancar obras no Centro Histórico e no 4º Distrito. Entre elas, está a revitalização da Avenida Farrapos, que sofre com imóveis abandonados e com a saída de moradores.
Comerciantes e moradores dos bairros juntos à Farrapos consideram que o corredor de ônibus contribuiu para a decadência da avenida.
Conforme Zero Hora mostrou no mês passado, mais de 200 pontos comerciais estão desocupados no andar térreo em prédios na avenida. Uma solução proposta por arquitetos e líderes de entidades empresariais é justamente a remoção do corredor de ônibus.

Lucas Obino, arquiteto e sócio do Grupo Ospa, sugere que, no lugar de pistas para carros, a prefeitura aumente as calçadas.
— É uma boa via para caminhar. É plana, mas é feia e caótica. O grande problema é a barreira de corredor de ônibus. Torna a Farrapos uma via apenas de passagem. No passado, ela era uma via de costura urbana e de permanência. Além desse caráter de terminal, o corredor de ônibus cria essa barreira — diz Obino.
Para que os coletivos sigam com preferência no tráfego, o arquiteto sugere que uma faixa azul seria destacada junto à calçada, como já ocorre em outras áreas da cidade, trazendo o movimento das paradas para o calçamento, junto ao comércio.
A prefeitura chegou até a iniciar um estudo para instalar aeromóveis na Avenida Farrapos, mas a ideia nunca vingou.

