
O atual aspecto de abandono da Praça Dom Feliciano — com buracos no calçamento, rachaduras nas muretas e monumentos pichados e, até mesmo, sumidos — vai mudar nos próximos meses. Começou nesta segunda-feira (17) o processo de revitalização do espaço que, desde 1809, faz parte da área central de Porto Alegre.
A área triangular fica entre as ruas Professor Annes Dias, dos Andradas e Senhor dos Passos e em frente à Santa Casa. A recuperação do espaço receberá o investimento de R$ 700 mil, em recursos próprios do município.
A ação é um projeto coordenado pela Secretaria de Serviços Urbanos (SMSUrb), junto à Secretaria de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus), que ficou responsável pelo paisagismo, em parceria com a Secretaria Municipal da Cultura (SMC).
— Hoje é um lugar extremamente degradado, mal iluminado. É necessário um manejo arbóreo para melhorar a iluminação, um ajardinamento para melhorar o aspecto. No coração de Porto Alegre, onde as pessoas vêm do Interior e ali descansam, aguardam para visitar seus familiares no hospital, elas merecem ter uma imagem melhor de Porto Alegre — comenta Vitorino Baseggio, titular da SMSUrb.
Durante a revitalização, a praça será cercada por tapumes. Inicialmente, as barreiras irão contornar o espaço por trás das quatro paradas de ônibus que existem no local. A medida foi adotada para evitar alterações no transporte público.
— A ideia é que, quando chegar o mês de fevereiro, em que diminui muito o movimento em Porto Alegre, talvez tenhamos que mexer as paradas, deslocar, para poder refazer a parte do passeio de pedra portuguesa — explica o secretário.
A previsão é de que a revitalização seja concluída no primeiro semestre de 2026, por volta do segundo bimestre.
Detalhes
Mesmo bicentenária, a praça não é tombada, ou seja, não tem restrições e proteções que garantem sua preservação e originalidade. Apesar disso, o projeto de recuperação contou com um levantamento histórico das alterações feitas no espaço ao longo de 216 anos.
O objetivo é que a revitalização deixe a praça o mais próximo possível de sua versão da década de 1920, quando a área ganhou a pavimentação de pedra portuguesa e foi cercada por muretas de balaústres.
— Tem uma parte que tem um piso diferente, e a ideia é reconstruir todo ele como era originalmente. Isso vai ser feito através de réplicas. A gente já tem a forma para fazer isso. Vai demorar um tempo, mas vai ficar bonito — detalha Baseggio.
O trabalho também conta com a reconstrução de postes históricos de iluminação, que foram levados, e com o desenvolvimento da réplica de dois bustos que constam nos registros da praça, mas que, em algum momento não especificado da história, foram furtados. Os desenhos da pavimentação portuguesa também serão restaurados, inclusive em áreas que foram cobertas por cimento cru.


