
Quem olha para cima nota que algo está faltando no trecho 3 da orla do Guaíba, em Porto Alegre. A ausência de discos luminosos feitos de metal e presos no topo de postes é sentida ainda mais por quem frequenta o espaço à noite.
Instalados em 2021, quando o trecho foi entregue revitalizado, os equipamentos chamam atenção pelo seu formato. Cada poste conta com dois discos de 62 centímetros de diâmetro e 14 quilos cada. A luz embutida neles é de LED, de cor branca. Segundo a prefeitura, eles não estariam sendo roubados, como frequentadores da Orla têm especulado.
O motivo do desaparecimento das peças é manutenção, explica a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSUrb). Segundo a pasta, 156 equipamentos foram retirados pela concessionária IPSul, responsável pelo serviço de iluminação pública na cidade.
Reparos estão sendo feitos em peças que foram estragadas em razão de sobrecarga na rede e por queima de componentes. De acordo com a SMSUrb, as peças foram retiradas em outubro e serão repostas até o final deste mês. No total, esse trecho da Orla conta com mais de 400 peças do tipo.
Os discos ficam parafusados no topo de postes de 3 metros de altura. Quando a reportagem esteve no local, verificou que dezenas de itens ficam apagados ou piscando durante a noite.
Segundo a diretora do trecho 3 da orla do Guaíba, Andréa Rotunno, lâmpadas das quadras esportivas também passarão por reparos.
— Os "discos voadores", como o pessoal da IPSul chama, estavam com esse problema desde a enchente. Nas quadras, algumas lâmpadas não acendiam, outras davam picos de luz e depois apagavam. Isso será arrumado também — diz Andréa.
Sensação de segurança
Os discos servem para aumentar a sensação de segurança do local à noite. Com a falta de mais de 150 equipamentos, a professora Francine Guerini, 42 anos, deixou de fazer caminhadas no trecho depois das 19h30min.
— Sempre me senti muito segura na Orla, venho todos os dias. Mas de um tempo para cá, não sei se sou só eu, acho que ficou mais soturna à noite. Nunca nada aconteceu comigo, mas estou preferindo vir durante a manhã mesmo — diz Francine, enquanto passeava na Orla na manhã desta quinta-feira (13).

A prefeitura diz que a ausência dos pontos de luz não afeta na iluminação do trecho e diz que faz rondas no local com viaturas da Guarda Municipal. O ciclista Marlon Silva, 29, confirma e diz se sentir seguro na Orla em qualquer horário do dia.
— Sempre tem uns guardas. Tem dias que venho andar de bike de manhã e outros à noite. Acho bem tranquilo. Em dias de tempo bom isso fica lotado, mesmo depois das 21h — descreve o ciclista.
Obras de revitalização
Enquanto isso, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus) segue com a obra de revitalização do trecho 3, que foi inundado na enchente. Segundo o arquiteto e diretor de Áreas Verdes da Smamus, Alex Souza, os trabalhos serão entregues em dezembro.
Banheiros próximos à pista de skate foram entregues recentemente. Já os sanitários que ficam juntos aos bares só serão reabertos após dezembro, quando os lojistas finalizarem as obras de seus espaços.
— Nas próximas semanas vamos entregar os espaços para os permissionários fazerem a sua parte da obra. Está ficando bem legal, melhor do que antes — garante Souza.
No trecho 1, a prefeitura segue recuperando os espaços de lojas que eram ocupados por ambulantes. Na última semana, começou a cercar o entorno dos deques, onde há erosões no chão, e áreas onde o gramado precisa ser recuperado.

