
Sob o calor de mais de 25°C, que foi registrado ao longo de terça-feira (11), três palmeiras surgiram em trechos do calçadão da Avenida Borges de Medeiros, no Centro Histórico de Porto Alegre. O plantio das árvores, já em grande porte, faz parte de um projeto piloto que prevê a colocação de mais 22 plantas no local.
O plantio das árvores começou no período da tarde e chamou atenção de quem passava pela avenida. Devido ao tamanho das palmeiras, o processo é mais complexo, sendo necessário o uso de guindaste, por exemplo.
— Eu acho que vai ficar maravilhoso, acho que vai ficar arborizado. Tudo que fica arborizado fica mais bonito, faz bem para a gente, faz bem para a natureza, faz bem para o meio ambiente. Acho que vai ficar lindo — comenta Rosane de Aguiar, 55 anos, funcionária do Badesul que passava pelo local e observava o trabalho das equipes da prefeitura.
Ao todo, serão plantadas 20 palmeiras da Califórnia e cinco ipês roxos no canteiro central do calçadão, que se estende da Praça Quinze de Novembro até a esquina com a Avenida Senador Salgado Filho.
— Era necessário resgatarmos o caráter de boulevard com árvores e a história da arborização dessa via — explica Verônica Riffel, coordenadora de Arborização Urbana da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade de Porto Alegre (Smamus).
Um boulevard é uma via urbana ampla e arborizada, frequentemente dividida por um canteiro central e projetada com detalhes de paisagismo.
Conforme o contrato, o plantio deve ser concluído nos próximos seis meses. Contudo, a expectativa da coordenadora é de que a etapa seja finalizada dentro de um mês. Também está previsto o acompanhamento e manutenção das plantas ao longo de 12 meses.
— O período de manutenção também é muito importante para verificar se as escoras continuam dando a segurança necessária para a planta, porque não podemos correr o risco de nenhuma delas tombar — afirma Verônica.
O paisagismo do local não estava previsto no projeto da reforma do quadrilátero central e foi uma solicitação da Secretaria Municipal de Planejamento e Gestão.
A responsável pela arborização afirma que a iniciativa é um projeto piloto. O município espera compreender a complexidade desse tipo de licitação para adotar a estratégia em outros pontos da cidade.
— Depois, a ideia é a avançar para a Avenida Osvaldo Aranha, para parques e praças históricas, e retomar essa urbanização tão importante e histórica de Porto Alegre — comenta Verônica.
Avaliação dos pedestres
A novidade foi bem recebida pela população que observava o plantio. Apesar dos elogios, populares questionados pela reportagem apontaram problemas decorrentes da reforma do quadrilátero.
— Vai ficar bom, vai ficar bonito o Centro. Eu gostei, vai ficar melhor. Mas eu acho que tem que botar uns bancos mais ali. Eles largaram do outro lado, e chove muito. O pessoal está reclamando disso. Antes havia os bancos no meio, e agora não tem mais — comenta Diego Rodrigues da Silva, 41 anos, vendedor de uma loja de chocolates em frente ao canteiro central.
O advogado César Gregianin, que tem escritório na região, não teceu elogios para a arborização da Borges de Medeiros.
— Não se passam sete dias sem que não tenha uma obra por aqui, que não estejam furungando nessas lajotas. Olha o poste, desde a última vez que deu o temporal, ele está torto. Primeiro arruma o poste, e depois coloca a árvore. Já colocaram grama, mas tu vê grama? Não adianta, vira barro e, quando chove, toda essa areia corre, entope a boca de lobo e a água sobe — reclama Gregianin.
Por outro lado, a aposentada Maria Doralice Arnold, moradora há 25 anos de um dos edifícios que ficam em frente a um dos canteiros da Borges de Medeiros, ficou feliz com a reforma e o plantio.
— Eu achei beleza pura, ficou muito bonito. Vai ficar melhor ainda porque eles vão colocar mais umas árvores, tem ipê roxo. O que eu posso dizer é que estamos muito felizes com essa renovação na Borges de Medeiros.





