
Faltavam quinze minutos para as 15h quando o Corpo de Bombeiros Militar (CBM) foi acionado para combater um incêndio no Centro Histórico de Porto Alegre, nesta quarta-feira (5). Labaredas saíam de dois casarões do século 19, ambos com comércios que foram totalmente danificados, na Rua Marechal Floriano Peixoto, em frente à Praça Quinze de Novembro.
Os trabalhos de rescaldo das chamas seguiram durante a noite. As possíveis causas do incêndio ainda não foram informadas pelas autoridades. A perícia ainda deve analisar o local da ocorrência para apurar o que provocou o fogo.
O incêndio teria começado na sobreloja de um dos casarões e se espalhado do telhado para a estrutura ao lado. Depois, passou a consumir o andar térreo dos comércios — uma loja de calçados e um bazar.
— Eu estava lá no fundo da loja, no caixa da loja. Me chamaram na rua para ver que estava saindo fumaça do prédio do lado. Quando eu fui entrar ali para ver: tudo escuro. Vi a fumaça saindo, saí do prédio e chamamos os bombeiros — relatou Lizandro Krug, gerente e sócio da loja de calçados atingida, em entrevista para a rádio Gaúcha.
A situação chamou a atenção das pessoas, e uma multidão se formou no local. O episódio alterou a rotina de uma quarta-feira movimentada no Centro Histórico, que recebia eventos como a Feira do Livro e a Feira da Agricultura Familiar. O trânsito na região foi bloqueado, afetando a circulação de ônibus cujos terminais ficam nas imediações.
Fumaça nos prédios vizinhos
Os sobrados são das poucas edificações do anos 1880 que se mantêm em Porto Alegre. Eles são rodeados por prédios com 15 andares ou mais, que funcionaram como uma espécie de chaminé para a grande quantidade de fumaça que saía do incêndio.
Os paredões favoreceram a concentração do calor, e os corredores dos prédios foram tomados por fumaça. Ambos os edifícios foram totalmente evacuados. Durante a saída, os ocupantes dos andares mais altos enfrentaram dificuldade em meio à escuridão e à densa fumaça que já estava no local.
— Na hora, a fumaça começou a entrar no meio do prédio. As janelas estavam todas abertas para ventilar. No momento em que o pessoal começou a descer gritando lá de cima, que eles abriram as portas para descer, a fumaça começou a passar pela porta corta-fogo. Do sétimo andar para cima, já estava tapado de fumaça. O pessoal estava passando mal ali dentro — contou o advogado Cristiano Zanon, que trabalha no oitavo andar de um dos prédios que rodeiam os sobrados.
Conforme a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), 20 pessoas precisaram de atendimento, sendo que três foram encaminhadas ao Hospital de Pronto Socorro por inalação de fumaça. Os demais apresentaram sintomas leves e foram liberados após análise dos médicos que estavam de prontidão na Praça Quinze.
As chamas atingiram grandes proporções, danificando pelo menos sete andares da fachada lateral de um dos edifícios no entorno dos sobrados. Parte do revestimento se desprendeu e deixou tijolos expostos. Além disso, aparelhos de ar condicionado que ficavam no local também pegaram fogo e foram danificados.
Por volta das 17h, o tenente-coronel Deoclides da Rosa, comandante do CBM em Porto Alegre, informou que o fogo já estava controlado. A partir daquele momento, as equipes passariam a se revezar para realizar o rescaldo.
Combate ao incêndio
Para conter as chamas, unidades de todos os batalhões da Capital foram acionadas. No total, oito viaturas foram deslocadas para dar suporte e atender a ocorrência.
As equipes se dividiram em diferentes frentes. Enquanto um grande volume de água era lançado em direção ao fogo por quatro mangueiras dos caminhões, bombeiros combatiam as chamas no interior das lojas. Outros militares foram até o quarto andar de um dos prédios e usaram o hidrante do edifício para jogar mais água no telhado dos sobrados.
Além disso, simultaneamente, equipes de resgate iniciavam o processo de evacuação dos edifícios laterais. Mais de 30 pessoas foram retiradas pelos bombeiros.
A ausência da escada Magirus foi sentida por quem acompanhava o combate às chamas. Questionado, o comandante explicou que o equipamento está em manutenção preventiva, mas que sua falta foi suprida com o reforço no número de bombeiros deslocados para a ocorrência.
— Desde o início, devido ao conhecimento da ocorrência, que era em material combustível, em uma loja de roupa e calçado, e sabemos que tem uma facilidade da propagação do fogo devido ao material, nós já deslocamos três equipes para o local e aí, depois solicitamos mais reforços — detalhou o tenente-coronel Rosa.
Uma escada Magirus, transportada de Caxias do Sul, chegou ao local no início da noite.




