
Cerca de 25 mil passageiros passam por dia pelo Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, conforme a concessionária Fraport. Entre os milhares de turistas e viajantes que desembarcam na Capital, dois casos estrangeiros demandaram atenção especial das forças de segurança.
Uma jamaicana com cidadania canadense e um venezuelano moraram no terminal, em diferentes momentos, neste ano.
Os episódios lembram o filme O Terminal (2004), em que o ator Tom Hanks interpreta um cidadão do leste europeu que mora em um aeroporto, impedido de ingressar nos Estados Unidos e de voltar para seu país natal.
A Fraport Brasil informou que "colabora com a Polícia Civil, a Polícia Federal e demais instituições que integram o complexo aeroportuário, sempre com foco na segurança dos passageiros e das operações".
— O que a delegacia procura, juntamente com a Fraport, é conversar com essas pessoas, procurar acolhê-las, encaminhá-las até um abrigo da prefeitura, com apoio da assistência social — explica a delegada titular da Delegacia de Polícia para o Turista (DPTur), Roberta Bertoldo.
Mulher foi encaminhada para serviço de saúde
De acordo com a DPTur, a mulher de 34 anos permaneceu cerca de dois meses nas instalações do aeroporto, no início do segundo semestre. Durante o dia, a estrangeira saía e, à noite, retornava e dormia nas cadeiras.
— Em determinado momento, ela se retirou por alguns dias do aeroporto e teve as bagagens e os pertences pessoais subtraídos. Fizemos contato, tanto nós como a Polícia Federal, com a Embaixada do Canadá. Ela se recusava a falar com qualquer pessoa, não queria sair daqui — conta a delegada.
Diante da resistência da estrangeira em manter um diálogo, em setembro, a polícia acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para realizar uma avaliação psíquica da turista. Após o atendimento inicial, foram identificados traços de esquizofrenia, de acordo com Roberta Bertoldo.
— Fizemos então a remoção dela até o posto do IAPI, que acolheu essa jovem e passou a medicá-la. Do posto, ela foi para o Hospital de Clínicas, que fez contato com os serviços de saúde do Canadá e obteve êxito em conseguir os prontuários médicos dela, confirmando o diagnóstico — acrescenta a delegada.
A mulher segue sob acompanhamento médico em Porto Alegre.

Promessa de emprego atraiu venezuelano
Já o venezuelano, de 58 anos, morou por cerca de uma semana no terminal aéreo. Ele desembarcou na Capital atraído por uma promessa de emprego, conforme as autoridades.
Segundo a delegada, o homem não deixava o local, pois temia se desencontrar com a pessoa que teria oferecido o emprego caso saísse. Os banhos eram improvisados nos banheiros.
Em outubro, as equipes conseguiram levar o homem até um abrigo da prefeitura.
— Dissemos que, caso essa pessoa viesse até o aeroporto, nós faríamos contato — conta a delegada.





