
Depois de três anos de obra, não há mais máquinas atrapalhando o vaivém de pedestres no Centro Histórico de Porto Alegre. Mesmo assim, a revitalização do Quadrilátero Central segue inconcluída, já que ainda falta ser trocado um trecho de piso na Rua dos Andradas, a Rua da Praia, próximo à Praça da Alfândega. A prefeitura diz que esse serviço será executado em 30 dias, mas somente depois da Feira do Livro.
Em maio, o Executivo municipal garantiu que entregaria a obra pronta em agosto, o que acabou não acontecendo.
— Não vamos atrapalhar a Feira do Livro. Esse trecho que precisamos finalizar teve que passar por aprovações do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Tivemos que fazer alterações no projeto, mas isso não irá gerar custos a mais para a prefeitura — garante o secretário municipal de Obras e Infraestrutura de Porto Alegre, André Flores.
O Iphan exige que a transição entre o piso de concreto e o de pedras portuguesas na Praça da Alfândega tenha uma junta de aço. Primeiramente, isso seria feito com cobre, porém, devido a casos de furto deste material, a prefeitura sugeriu que fosse utilizado alumínio, e o instituto aceitou.
Na terça-feira (21), a prefeitura começou a colocar plantas em 22 floreiras na Rua dos Andradas e na Avenida Borges de Medeiros. Elas ficam juntas a bancos de concreto instalados no mês passado. As espécies bougainvillea, trialis e calliandra vieram do viveiro municipal, cuidado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus).
Na sequência, também serão instalados 20 bicicletários em formato de espiral em diferentes pontos do Quadrilátero.
A revitalização englobou as ruas Marechal Floriano Peixoto, Andradas, Uruguai, General Vitorino, Vigário José Inácio e Voluntários da Pátria; e as avenidas Borges de Medeiros e Otávio Rocha. O serviço é executado pelo consórcio RGS, AGR e Elmo.
Entregas e atrasos
A reforma do Quadrilátero Central começou em 13 de junho de 2022, pela Avenida Otávio Rocha. A prefeitura prometia que a intervenção se estenderia por 90 dias em cada uma das vias abrangidas no projeto. Com isso, a revitalização seria concluída em 2023, mas os prazos foram sendo alterados.
Durante o período, parte do comércio no Quadrilátero disse estar sofrendo com queda no faturamento. Entre os motivos para isso, foi citado barulho gerado pela obra e bloqueios parciais no acesso às lojas, o que acabou afastando a clientela. Passado o período da obra pesada, o resultado é elogiado por quem antes criticava.
— O movimento voltou depois que acalmou a obra. Está mais agradável de passar por aqui, tem até onde sentar — diz Gisela Freitas, funcionária de uma loja de bijuterias na Avenida Borges de Medeiros.
No entanto, Gisela diz que o acabamento do piso poderia ser melhor feito em alguns trechos da avenida. Como resposta, a prefeitura diz que seguirá fazendo eventuais ajustes na obra, como a troca de blocos de piso que estão rachados.

O assessor para assuntos governamentais do Sindicato dos Lojistas de Porto Alegre (Sindilojas POA), Victor Pires, acompanhou de perto a obra do Quadrilátero, já que a sede da entidade onde ele trabalha fica em um prédio na Rua dos Andradas. Ele diz que outros comerciantes devem sentir o impacto positivo do fim da obra.
— Foi um período desafiador, tivemos questões relacionadas a barulho, sujeira. Era um incômodo para um benefício futuro. A obra aconteceu depois de um diálogo de mais de 20 anos sobre reformulação do Centro Histórico. Era uma obra necessária. Se não fosse agora, seria mais para frente. A finalização dos trabalhos encerra este ciclo e reforça o Centro Histórico novamente como um destino de varejo — diz Pires.
Presença de ambulantes
Ainda em 2022, o prefeito Sebastião Melo prometeu que, quando a obra do Quadrilátero Central estivesse pronta, ambulantes não poderiam mais usar as ruas do Centro Histórico para vender produtos. Com a obra chegando ao fim, roupas e eletrônicos seguem sendo expostos nas calçadas — principalmente na Borges e na Rua da Praia.
Para resolver isso, a prefeitura chegou a levantar a ideia de construir um centro para venda de produtos de ambulantes indígenas na Rua José Montaury. A proposta, porém, foi recusada pelos vendedores informais. Segundo o secretário André Flores, uma nova solução estaria sendo estudada. Enquanto isso, as calçadas revitalizadas continuam tomadas por barracas e lonas cheias de produtos.






