
Placas de trânsito instaladas após o acidente com um ônibus que levava mais de 50 passageiros no Centro Histórico impediram o ingresso de coletivos na Rua Espírito Santo, onde foi registrada a ocorrência há exatamente uma semana. A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) reforçou o alerta, uma vez que outras placas nas imediações já impedem o acesso de veículos com peso superior a 12 toneladas.
Apesar das mudanças, o diretor-presidente da EPTC, Pedro Bisch Neto, reconhece que uma revisão é necessária.
— Esse incidente nos mostrou a possibilidade de uma tragédia e isso, evidentemente, está nos obrigando a repensar e revisar toda a sinalização. Os limites da legislação vêm sempre no sentido de diminuir a chance de problemas — comenta Bisch Neto.
A EPTC explica que a decisão técnica se baseou nos riscos que as vias apresentam para os ônibus e não no peso ou altura dos veículos. Caminhões, por exemplo, podem seguir acessando a Rua Espírito Santo. No entanto, se o peso do veículo for superior a 12 toneladas, ele não pode nem se aproximar dessa região.
Por exemplo:
- Um veículo com mais 12 toneladas que segue na Rua Duque de Caxias, em direção à Praça da Matriz, precisa desviar pela Rua Gen. João Manoel e optar por outro caminho
- Já se o mesmo veículo optar por acessar a praça pela Jerônimo Coelho, deverá descer para a Riachuelo
- Veículos com menos de 12 toneladas podem seguir pela Duque de Caxias
- No entanto, se for um ônibus, ele não poderá descer a Espírito Santo, onde aconteceu o acidente
Apesar de duas placas sinalizarem com antecedência o limite de peso, ônibus com excursões acessam o trecho em frente ao Palácio do Piratini com frequência. A diferença em relação ao que foi registrado no dia 2, conforme fiscais de trânsito da EPTC que atuam no Centro Histórico, é que motoristas habituados à região optam por acessar a lateral da Praça da Matriz e descer em direção à Rua Riachuelo para sair do local.
Com a nova sinalização colocada na esquina da Rua Espírito Santo, caso um ônibus de excursão ignore a placa de limite de peso na esquina com a Rua João Manoel e passe em frente à Catedral, ele passa a ter duas opções de caminho, sendo que ambas apresentam riscos:
- Ignorar uma segunda placa de limite de peso, seguir em frente e passar em cima do viaduto da Borges de Medeiros. O que pode trazer danos à estrutura histórica
- Ou ignorar a placa recém-colocada, dobrar à direita e descer o trecho íngreme da Rua Espírito Santo, que foi palco do acidente registrado no começo de outubro
O conflito de decisão também pode ter origem em outro cenário, caso o condutor ignore o limite de peso bruto total para quem vem da Rua Jerônimo Coelho e acessa a lateral da Praça da Matriz. Caso o motorista não contorne a praça, ele vai se deparar com as duas opções mencionadas: passar em cima do viaduto ou descer a ladeira
O diretor da EPTC explica que não há uma intenção de proibir a circulação de ônibus no Centro Histórico devido aos hotéis que existem no bairro e às excursões que passam pela região, mas que o acidente revelou a necessidade de uma revisão na legislação e sinalização.
— (O trânsito) É muito dinâmico, os hábitos mudam, os equipamentos mudam. Ao longo dos últimos 20 anos, os veículos aumentaram, o tamanho dos caminhões aumentou, o tamanho dos ônibus aumentou, e a legislação toda é antiga. Então, nós vamos ter que revisar à luz dessas novas possibilidades, como manter a atividade vital, do centro, economicamente viável, sem gerar riscos à segurança viária. Eu acho que essa é a questão chave — analisa Neto.

Incêndio em ônibus
O incêndio no ônibus foi registrado no Centro Histórico de Porto Alegre por volta das 16h do dia 2 de outubro. O Corpo de Bombeiros Militar foi acionado para atendimento no local.
— Era um ônibus de excursão com 57 crianças que estavam visitando o Palácio Piratini, numa visita escolar. Quando eles terminam a visita, entram no ônibus e iniciam o deslocamento, que seria para o próximo ponto, no Barra Shopping, aqui em Porto Alegre. Na descida da Espírito Santo, o motorista do ônibus bate nos fios de alta tensão da via, de energia elétrica. Então, ele para o ônibus, segundo o relato, aciona o freio de mão, desce e, quando ele vai verificar esse ônibus, (o veículo) inicia um deslocamento, começa a descer por conta própria com as pessoas dentro do ônibus — explica o comandante do 9º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Hermes Völker.

Ainda conforme o comandante, todos foram retirados do coletivo e ninguém chegou a ficar ferido; apenas houve inalação de fumaça. O ônibus vinha de Vacaria, município da Serra, e realizava uma excursão com estudantes com idades entre 15 e 17 anos.
O veículo desceu a Rua Espírito Santo, que é uma via bastante íngreme, e colidiu com 10 veículos. Um prédio também foi atingido pelo fogo. O motorista está bem. O ônibus parou na Espírito Santo, entre a Demétrio Ribeiro e a Fernando Machado.




