
Na média geral, os aluguéis residenciais ficaram mais caros em Porto Alegre entre 2024 e 2025. No entanto, o movimento não foi igual em todas as regiões.
Enquanto em alguns bairros as altas ultrapassam os 30%, enquanto outros apresentam recuos de até 65%, comparando os valores de julho deste ano com os do mesmo mês do ano passado. Veja valores e variações por bairro no mapa ao final do texto.
Aumento na oferta de imóveis em alguns locais, efeito da inundação e locação de unidades mais caras são alguns dos fatores que ajudam a explicar essa distinção de movimentos ao longo do último ano, segundo integrantes do setor e especialistas.
Dados de pesquisa do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis (Secovi-RS) mostram que o bairro Moinhos de Vento, na zona central da Capital, registrou o maior aumento de preço. Em julho deste ano, o metro quadrado no bairro estava em R$ 51,85 — alta de 39,38% ante o mesmo mês do ano passado. Na sequência, aparecem Rio Branco, e Boa Vista no top três de maiores avanços.
Como são bairros tradicionais, bem localizados e que chamam a atenção dos locatários, acabam apresentando majoração nos preços, segundo o Secovi-RS. Além disso, são áreas que não sofreram com enchentes, afastando a preocupação dos inquilinos na hora da locação, de acordo com o sindicato.
— Esses bairros, como são nobres, têm um aluguel mais condizente com essa situação, e como tem público, o preço acaba aumentando — explica o presidente do Secovi-RS, Moacyr Schukster.
Na média geral, o preço da locação subiu 11,78% em 12 meses fechados em julho na Capital — mais do que o dobro da inflação oficial do país no mesmo período.
Maiores quedas
Na outra ponta do ranking, o bairro Santa Cecília registra a maior queda no preço, com metro quadrado em média a R$ 31,82 em julho — 65,41% abaixo do valor no mesmo mês do ano passado (R$ 92). Na segunda colocação, está o bairro Auxiliadora, onde o preço caiu de R$ 80,01 para R$ 57,72 — retração de 27,86%.
Segundo o Secovi-RS, o movimento nesses dois locais responde, principalmente a aspectos de mercado. No ano passado, Santa Cecília e Auxiliadora registraram uma maior disponibilização de imóveis do tipo loft e studio novos, unidades com preços por metro mais elevados, o que puxou o custo médio para cima. No entanto, agora, com a locação de parte desses imóveis, a média caiu, segundo o sindicato.
Já nos bairros Tristeza e Pedra Redonda, que aparecem na sequência no recorte das maiores quedas, o Secovi-RS destaca que são regiões atingidas pela enchente de alguma forma, o que acaba forçando os preços para baixo. Além disso, são bairros que contam com muitas casas na amostra, que são imóveis maiores, mas de locação mais lenta.
José Antônio Ribeiro de Moura, economista e professor da Universidade Feevale, analisa que as variações nos preços dos aluguéis respondem a uma série de fatores, como oferta, demanda, localização, infraestrutura e rede de serviços. Além disso, a própria fama de cada região também tem peso nesse processo.
— O consumidor dos aluguéis sempre vai buscar, principalmente, a questão de conforto, de segurança, de infraestrutura. Então, tivemos aí os bairros ainda que continuam valorizados. E naqueles que caíram, isso ocorre porque às vezes tem boom inicial, mas depois tem uma acomodação — comenta Moura.





