
O sistema de ônibus de Porto Alegre encerrou o primeiro semestre de 2025 com cerca de 79 milhões de passageiros transportados. O número é 48% inferior ao registrado em 2010, quando mais de 150 milhões de pessoas utilizaram os coletivos na Capital.
Os dados são do painel Observatório da Mobilidade, que faz parte do projeto EPTC Transparente, da prefeitura.
Apesar da queda observada, o resultado dos primeiros seis meses de 2025 indica uma leve recuperação em relação aos últimos cinco anos, com o impacto da pandemia no transporte público. No primeiro ano da crise sanitária, a presença de usuários despencou de 114 milhões para 64 milhões no recorte de um semestre. Em 2021, o número atingiu o recorde negativo, de apenas 49,9 milhões de pessoas. O patamar acima de 70 milhões se repete desde 2022.
O transporte público da capital gaúcha tem registrado reduções anuais constantes na quantidade de usuários. Em 2012, por exemplo, a cidade teve 328 milhões de passageiros — o mais alto índice no período. Esse número caiu para 231 milhões em 2019, ano anterior à pandemia.
A partir de 2020, com a covid-19 e as restrições sanitárias, a queda foi ainda mais drástica. Pela primeira vez na década, o total anual de passageiros ficou na faixa dos 110 milhões.
Entre 2022 e 2024, Porto Alegre voltou a ter um aumento nos indicadores, atingindo a marca de 150 milhões de usuários nos três últimos anos, mas o valor ainda representa uma redução significativa em relação aos números de uma década e meia atrás.
Tarifa mais cara, menos passageiros
Conforme a prefeitura de Porto Alegre, essa redução pode ser explicada por aspectos variados, que passam desde a qualidade dos ônibus, disponibilizados e o valor da tarifa cobrada, até o crescimento do transporte por aplicativo.
— Há diversos fatores para essa queda, como preço da passagem. Mas também os carros por aplicativos influenciaram bastante na perda de passageiros, a qualidade dos ônibus, a condição dos locais de embarque. A mudança na forma de deslocamento aconteceu de forma mais aguda também com a popularização do home office — pondera o secretário Municipal de Mobilidade Urbana, Adão de Castro Júnior.
Mencionada pelo secretário, a tarifa mais que dobrou de preço no período. Em 2010, a passagem de ônibus em Porto Alegre era R$ 2,45, enquanto em 2025 o valor está em R$ 5.
Nos últimos anos, quem utiliza o transporte coletivo de forma esporádica começou a explorar novas alternativas. Considerando deslocamentos curtos, com valores semelhantes à tarifa cobrada pelos ônibus, algumas pessoas optam pelo transporte por aplicativo.
A estudante Beatriz Hochmuller, 27 anos, é um desses casos. Moradora da zona sul de Porto Alegre, ela conviveu com a dependência do transporte público para se deslocar pela Capital por grande parte da sua vida. Nos últimos anos, com o crescimento dos aplicativos, Beatriz utiliza as paradas de ônibus com menor frequência.
— No geral, dependendo do tipo de compromisso que eu tenho, eu vou preferir ir com um aplicativo. Se a passagem fosse mais barata ou tivesse mais linhas, eu usaria mais o ônibus — afirma.
Novas alternativas
Mesmo com menos pessoas andando de ônibus em comparação com anos anteriores, Porto Alegre ainda concentra um grande fluxo de trânsito. Com isso, a prefeitura analisa novos formatos para melhorar o transporte público, além do uso dos ônibus.
Dois deles já são realidade: a criação de uma faixa exclusiva para motos na zona norte da Capital — que ainda não entrou em vigor — e a liberação do uso do corredor de ônibus para táxis. Ambas as medidas beneficiam os veículos particulares ou que transportam menos pessoas.
— Nós entendemos que o sistema multiformato de transporte para uma cidade do tamanho de Porto Alegre é necessário. Temos projetos de conectar essas diversas formas de transporte. — afirma Castro Júnior.

Apesar disso, o secretário garantiu que a prefeitura vai seguir investindo no transporte por ônibus, como a compra de veículos mais novos e elétricos. Porto Alegre já conta com 12 veículos elétricos em circulação e anunciou a aquisição de 100 novos ônibus para a frota sustentável da Capital.
Mesmo com ações para melhorar o serviço para quem ainda depende do ônibus, não há perspectiva por parte da prefeitura de que a quantidade de passageiros atinja o patamar do início da década passada.
— Com essas novas alternativas que temos hoje em dia, é lógico que nós não esperamos recuperar todo aquele número de passageiros de ônibus de 2019 ou até mesmo de 2010. Nosso foco é oferecer um serviço de transporte cada vez melhor, cada vez mais moderno e que atenda à necessidade do dia a dia — diz o secretário.
*Produção: Gabriel Dias


