
O telhado do Museu da Comunicação Hipólito José da Costa (MuseCom) será trocado. Nesta segunda-feira (15), começam os trabalhos de substituição da cobertura do prédio centenário situado no Centro Histórico de Porto Alegre.
O Estúdio Sarasá ficou responsável pela execução do serviço. Trata-se de uma empresa tida como referência na área do patrimônio cultural. Os recursos para a intervenção estrutural virão do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). O valor investido será de R$ 1,2 milhão.
As medições estão sendo realizadas por arquitetos. A expectativa da direção do museu é que a substituição da cobertura não cause impedimentos nas visitas e nas pesquisas concentradas no acervo à disposição do público.
— Hoje, a estrutura do telhado é inadequada. Desde o ano passado trocamos uma série de telhas. Mas em seguida outra parte sofre problemas e depois a calha. Com a substituição total do telhado vamos colocar a edificação em uma nova condição — afirma o diretor do MuseCom, Welington Silva.
Restauração completa
O projeto executivo de restauração completa do prédio do museu circula pelo governo do RS desde 2014. A atualização deste plano foi concluída em 2023, e o objetivo era começar a obra de restauro em 2025. O planejamento, no entanto, está em validação no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
— Esta será a primeira etapa da restauração do prédio. Trabalhamos para iniciar as obras no máximo até o primeiro semestre de 2026. A restauração completa será na ordem dos R$ 11,8 milhões — revela o diretor.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae) dá suporte ao museu nessa interlocução com a autarquia federal, vinculada ao Ministério da Cultura. A liberação de verba passa pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2).
Três meses fechado e danos
Durante a enchente de maio de 2024, a água inundou o subsolo do prédio, onde ficam as estações elétricas. Foram 32 dias sem eletricidade na edificação. O espaço inundado funciona como área de pré-descarte de materiais do patrimônio do museu, como cadeiras e mesas quebradas.
No térreo, a água atingiu a marca de 80 centímetros de altura. O museu permaneceu 94 dias fechado, 20 desses sem possibilidades de acesso às dependências internas, em decorrência dos impactos da pior tragédia climática do RS.
Como os acervos ficam localizados nos pavimentos superiores não tiveram contato direto com a água da cheia, mas sofreram danos ocasionados pela umidade. O diretor compartilha quais foram os maiores problemas:
— O acervo de películas cinematográficas sofreu um pouco mais. E os de suporte em papel, especialmente alguma parte da imprensa, justamente pela umidade acumulada.
Porém, não houve perda de material histórico. Os filmes cinematográficos foram colocados sobre uma mesa enroladeira — serve para analisar e conservar as películas — para que os gases e a umidade pudessem ventilar. Esse processo levou cerca de 70 dias até ser concluído. O Funrigs repassou R$ 350 mil para o museu restaurar e digitalizar os filmes prejudicados pela umidade.
Em relação aos jornais antigos, o trabalho de recuperação envolveu higienização mecânica e digitalização dos periódicos do século 19.
Atividades funcionam normalmente
Além da parte elétrica, a edificação foi prejudicada no que diz respeito à alvenaria e à circulação, além do mobiliário. Para recuperar esses elementos foi preciso um investimento imediato de R$ 150 mil. Desse valor, R$ 45 mil foram contribuição do Banrisul.
Atualmente, o museu desenvolve todas as atividades normalmente, como agendamentos de visitações, o circuito de exposições e mostras e a área de pesquisa para o público.
Em 2024, foram 9.542 visitantes e cerca de 518 pesquisas realizadas no acervo. Neste ano, até 10 de setembro, 9.583 pessoas já visitaram o museu. E ocorreram 565 atividades de pesquisa.
Preservação da história da comunicação
No passado, o prédio localizado nas esquinas da Rua dos Andradas com a Caldas Júnior abrigou a sede do jornal A Federação. Desde 10 de setembro de 1974, abriga o MuseCom, instituição vinculada à Secretaria de Estado da Cultura (Sedac) e apoiada por uma associação de amigos.
O espaço da preservação da história da comunicação no Estado é procurado por pesquisadores e estudantes para a realização de trabalhos, livros, estudos, interesses pessoais, entre outros propósitos. Conforme a direção, o público é bastante heterogêneo.
Até os produtores de Ainda Estou Aqui, película brasileira vencedora do Oscar de Melhor Filme Internacional, já buscaram material no local. Pediram um take cinematográfico de um antigo avião da Varig em processo de pouso. O acervo engloba jornais impressos antigos, fotos, filmes, áudios e equipamentos.
Curiosidades
- O Museu da Comunicação Hipólito José da Costa foi fundado em 10 de setembro de 1974
- Fica situado na antiga sede do jornal A Federação
- O prédio foi construído em 1922. O tombamento ocorreu em 1977 e foi realizado pelo Patrimônio Histórico de Porto Alegre
- O local conta com três pavimentos, mais um subsolo
- O museu abriga mais de 700 mil itens
- Os acervos disponíveis para pesquisa englobam áreas da Comunicação como imprensa, televisão, rádio e fonografia; publicidade e propaganda, fotografia e cinema
- Também conta com o apoio da Associação de Amigos do Museu da Comunicação Hipólito José da Costa
SERVIÇO
Museu da Comunicação Hipólito José da Costa (MuseCom)
- Endereço: Rua dos Andradas, 959 (Centro Histórico de Porto Alegre)
- Visitas: segundas a sábados (das 10h às 19h), com último acesso às 18h30min
- Pesquisas: segundas, quartas e sextas-feiras (das 10h às 12h; e das 14h às 17h), com agendamento pelo e-mail musecom@sedac.rs.gov.br
- Contatos: (51) 97401-7425 e musecom@sedac.rs.gov.br
- Ingresso: entrada gratuita
- O site do museu pode ser acessado aqui.



