
Porto Alegre tem 53,18% das vias asfaltadas em bom ou ótimo estado. É o que aponta levantamento do Sistema de Gestão Integrada de Pavimentos (Gipav), da prefeitura da Capital. O recurso, adotado pelo município em outubro de 2024, utiliza inteligência artificial para mapear a qualidade dos pavimentos da cidade.
O levantamento aponta que 26,92% das vias estão em estado regular. Já as ruas e avenidas em situação ruim ou péssima correspondem a 19,9% do total.
Prestes a completar um ano, o estudo atingiu 95% dos 869 quilômetros de vias asfaltadas na Capital. O sistema colhe as informações a partir de sensores instalados em carros por aplicativo. Os motoristas são remunerados para percorrer uma determinada quantidade de quilômetros.
A prefeitura prepara um balanço completo da análise para início de outubro, após atingir o mapeamento de 100% das vias.
— O nosso "tapa-buracos" funcionava apenas através da demanda do cidadão. Hoje, ele funciona através do cidadão e pela inteligência artificial. Nós vamos contratar projetos de reparos estruturais de vias baseados no ranking do Gipav — afirma o secretário municipal de Serviços Urbanos, Vitorino Baseggio.
Os 869 quilômetros asfaltados em Porto Alegre correspondem a 25,5% do total das vias de todos os tipos que a cidade tem, que somam 3,4 mil quilômetros.
Ondulações e desníveis: as principais queixas
A reportagem de Zero Hora percorreu avenidas das zonas norte, leste e sul da capital para observar os principais problemas. Também ouviu a opinião de motoristas e comerciantes.
Na Zona Norte, a Avenida Sertório é uma das vias que mais gera queixas, em razão de ondulações e fissuras. Segundo a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSUrb), uma repavimentação completa está prevista para 2026, tão logo sejam concluídas as obras de ampliação do Sistema de Abastecimento de Água São João, realizada pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae). Segundo o Dmae, o investimento na obra da estação é de R$ 87 milhões.
Na Zona Sul, moradores dos bairros Aberta dos Morros e Restinga dizem que vias como a Estrada Costa Gama e a Avenida Edgar Pires de Castro têm, no geral, boas condições. Mas alertam para defeitos em cruzamentos com ruas menores.
— O problema é na entrada das vilas, que está ruim. Sempre tem um carro ou uma moto com pneu ou roda estourada. É problema de buraco, pneu rasgado — relata Elói Gomes, dono de uma borracharia localizada na Costa Gama.
Sobre os desníveis observados por tampas de bueiros, a SMSUrb e o Dmae informam que, quando é realizado um serviço de pavimentação, é responsabilidade de quem opera as redes subterrâneas entregar os poços de visitas com o nivelamento pronto. Alertam ainda que a fiscalização municipal notifica a empresa ou órgão responsável pela estrutura em caso de desconformidade. Denúncias podem ser feitas pelo telefone 156.

Usinas de asfalto
A capital possui duas usinas de produção de asfalto, uma localizada no bairro Restinga, Zona Sul, e outra no Sarandi, Zona Norte. Segundo a prefeitura, a demanda hoje faz com que as duas unidades estejam operando com 50% da capacidade.
— Estamos operando dentro da necessidade do município. Se for preciso, a gente amplia, mas a gente tem asfalto suficiente — afirma o secretário Vitorino Baseggio.
As duas unidades já trabalham abastecidas com energia limpa há um ano, conforme o secretário. As usinas são operadas por uma empresa contratada em 2021, que tem contrato até abril do ano que vem, quando será feita uma nova licitação.
Neste ano, já foram produzidas cerca de 70 mil toneladas de asfalto, segundo a prefeitura. Em 2020, quando as usinas ainda eram operadas pelo poder público, a produção chegou a 17 mil toneladas.




