
Os alunos da Escola Estadual de Ensino Médio Rafaela Remião tiveram uma tarde de aprendizagem no Viveiro Municipal, localizado na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre. Na quinta-feira (25), um grupo de 26 estudantes da oitava série pôde conhecer o processo de produção de mudas e refletir sobre a importância das árvores para a preservação do meio ambiente. Muitos plantaram vegetais em vasos e exibiram, com orgulho, as mãos sujas de substrato preto.
— Essas árvores têm frutos venenosos? Que espécie é essa? O que diferencia elas? O que vocês fazem com as frutas que crescem?
Esses foram alguns dos questionamentos feitos pelos jovens durante a visita. Acompanhada por professores, a turma foi caminhando da escola, que fica no mesmo bairro e próxima ao Viveiro Municipal. Os alunos chegaram por volta das 14h30min. A tarde estava ensolarada e propícia para uma aula ao ar livre, entre árvores e muito verde.
Emocionada com a experiência, Valentina Lemos, de 14 anos, plantou uma muda de Caroba. Na sequência, compartilhou sua satisfação pessoal com a reportagem de Zero Hora:
— Desde pequena, eu sempre gostei muito de estar em meio à natureza. Meu pai sempre me ensinou sobre mudas e plantação. Meu sonho era ser bióloga ou trabalhar em alguma área da Biologia. É uma sensação incrível poder pôr a mão na massa. Sempre via as pessoas fazendo por mim, e não fazendo com as minhas próprias mãos. Então, é muito legal e divertido.
O colega Pietro Costa da Silva, 13, também curtiu plantar uma muda em um vaso.
— Eu senti que é uma obrigação mexer na terra. Porque plantando vou estar ajudando o mundo — disse.
Administrado pela Secretaria do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus), o Viveiro Municipal abriga as mudas que depois serão plantadas em praças, ruas e parques da Capital.
Os visitantes conheceram espaços como banco de sementes, laboratório – onde havia os amargos frutos do Buriti-palito para quem quisesse provar –, estufa de produção e a área onde podem ser vistos os vegetais já adultos, com mais de três metros de altura.
Esses maiores estão há mais de 10 anos sendo preparados para serem plantados em algum parque, praça ou via da cidade. Eram os casos do Guamirim-ligustro e do Camboatá-vermelho.
O professor de Ciências Roger Santos comentou sobre a importância de levar os estudantes para conhecer o funcionamento do Viveiro Municipal. A visita foi conduzida pela coordenadora de Educação Ambiental da Smamus, Juliana Herpich.
— A gente já trabalha isso em aula para que eles tenham essa conexão, que foi perdida ao longo de décadas, com a terra e a natureza. Para que possam colocar a mão na terra, sentir e plantar. Saber que fazem parte desse cosmos. Isso é muito importante, até para entenderem o que vai para a mesa deles — observa o docente.
Dedicação ao verde
Criado há quase 50 anos, o Viveiro Municipal é um espaço dedicado à produção e pesquisa de mudas de espécies nativas. Ocupa uma área de 3,5 hectares e cultiva diferentes espécies, inclusive algumas ameaçadas de extinção.
Conforme o engenheiro agrônomo e chefe da equipe de produção vegetal do Viveiro Municipal, Rogério Otávio Schmidt, atualmente estão em preparo 63 espécies diferentes. O profissional demonstra orgulho por atuar em meio ao verde:
— Ver todas essas mudas que produzimos com tanto carinho e cuidado, algumas extremamente ameaçadas de extinção, e vê-las ocupando o espaço público e voltando a ter função ambiental é muito gratificante.
A coordenadora de Arborização Urbana da Smamus, Verônica Riffel, comentou sobre o número de mudas que saem do local todos os anos:
— Temos um contrato de plantio em que a estimativa é de que sejam plantadas 3,5 mil mudas por ano. Dessas, 2 mil são compradas de viveiros comerciais e 1,5 mil são produzidas aqui no Viveiro.
Entre reformas e propostas
O Viveiro Municipal passou por obras de revitalização entre 2022 e 2023, após anos de abandono e inatividade. O investimento, realizado pela incorporadora Melnick, foi de R$ 4,3 milhões, como contrapartida por um empreendimento imobiliário construído na cidade.
Para o futuro, a proposta é desenvolver um protocolo para clonagem de sementes de espécies raras em risco de extinção. Um exemplo é o Cambucá, que conta com apenas sete exemplares no Rio Grande do Sul – um deles localizado no Parque Farroupilha (Redenção).
Veja algumas curiosidades
- O Viveiro Municipal conta com cerca de 12 mil mudas estocadas
- Fica situado no meio de uma Unidade de Conservação (UC)
- São 97 espécies nativas em produção
- Entre 5 mil a 7 mil mudas são produzidas por ano
- O local abriga espécies raras e outras ameaçadas de extinção
- As mudas levam em média de quatro a cinco anos para serem plantadas em parques
- Entre as espécies mais plantadas estão o Ipê-Amarelo e o Roxo
- Um total de 3,5 mil mudas são plantadas por ano na cidade. Desse número, 1,5 mil são originárias do Viveiro Municipal. As demais são adquiridas em viveiros comerciais
- Os bairros e regiões que devem receber mais mudas são Restinga, Zona Norte, Centro Histórico e Quarto Distrito
- Os locais conhecidos como "ilhas de calor" são os mais difíceis para se fazer esse plantio. Tratam-se de bairros como Bom Jesus e Coronel Aparício Borges
- Mudas de Sarandi-amarelo estão sendo produzidas para serem plantadas em encostas de rios para criar ou fortalecer as chamadas matas ciliares




