
A demolição das casas do entorno da nova ponte do Guaíba, iniciada na semana passada, está paralisada. O motivo é a permanência de pelo menos três famílias que ainda não ganharam uma nova moradia, nem receberam auxílio para sair da região.
A área das vilas Voluntários, Tio Zeca, Areia, Cobal e Beco X foi dividida em 16 lotes de demolições para a continuidade das obras da ponte. Até o momento, 11 dos 50 imóveis previstos no primeiro lote foram removidos.
Conforme o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), responsável pelos trabalhos, não é possível avançar com a demolição porque os imóveis estão justapostos a outros ocupados, comprometendo a estrutura.
Maria Soares, 21 anos, que vive com a mãe em uma dessas casas relatou que já escolheu a nova casa pelo programa Compra Assistida, mas ainda não sabe quando irá conseguir se mudar.
— Eles falaram que vai demorar 90 dias para finalizar o processo, com a entrega da chave e pagar o vendedor. A gente vai toda semana na Caixa e até o momento não saiu — lamentou.
Segundo o Departamento Municipal de Habitação (Demhab), o programa Estadia Solidária foi oferecido para custear o aluguel de parte dos moradores. Só que o pagamento do auxílio atrasou.
— Estava programado para pagar dia 15. Espero que seja pago nos próximos dias — explicou o diretor-geral do Demhab, André Machado.
Outro auxílio, o Estadia Ponte, foi sancionado ainda em maio pelo prefeito Sebastião Melo. O programa é destinado justamente aos moradores do entorno da ponte que não foram contemplados pelo Estadia Solidária.
Mesmo com a lei criada, três meses depois, o convênio entre prefeitura e governo do Estado ainda não foi firmado.
— Fizemos reuniões com o governo do Estado. Faltava a concordância da PGE em relação aos termos do programa. Avançamos no assunto. Temos uma perspectiva de que o termo seja assinado na próxima semana — complementou André Machado.
A estimativa é que R$ 9 milhões sejam repassados ao Demhab para o pagamento de R$ 1 mil por mês para as famílias que precisarem sair e estiverem desassistidas pelos demais programas.
— Eles deveriam esperar sair todo o processo para depois retirarem o pessoal. Mas eles estão fazendo o contrário. Agora, eles demoliram essas casas aqui da frente, daí ficou assim, tudo aberto, o vento batendo a noite inteira. A gente não dorme, porque antigamente tinha as casas para segurar o vento, agora não. É um sentimento de abandono. Para que lado vamos? O que a gente vai fazer? — desabafa Maria.
O balanço do Demhab mapeou cerca de 780 famílias nas cinco comunidades. Dessas, 650 estão habilitadas no programa Compra Assistida, sendo que 472 assinaram contratos com a Caixa. O cronograma inicial do Dnit estipulava que as demolições fossem concluídas até dezembro.
A obra da nova ponte está com 90% dos serviços executados. Do projeto inicial, ainda falta construir três alças de acesso e realizar serviços de pavimentação, acabamento e sinalização. A estimativa é que a conclusão desses serviços demore cerca de 18 meses após o início. Entretanto, ainda será necessário executar um sistema de proteção dos pilares dos vãos centrais, chegando a 30 meses de prazo total.
