
Dois dias após ter seu negócio interditado pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Porto Alegre, a proprietária da padaria Barbarella Bakery divulgou um posicionamento nas redes sociais questionando alguns pontos da ação da prefeitura.
— Nestes 23 anos, a Barbarella de Porto Alegre nunca teve nenhuma denúncia, nenhuma notificação, nenhum registro de qualquer tipo de problema de saúde alimentar, qualquer um — diz a empresária Ana Zita Klein, em vídeo publicado nesta quinta-feira (14).
A padaria, localizada na Rua Dinarte Ribeiro, no bairro Moinhos de Vento, foi alvo de operação da Vigilância em Saúde, na última terça-feira (12). O órgão foi acionado após receber uma denúncia anônima em julho.
Na vistoria, a equipe informou a existência de fezes de ratos, inclusive em áreas de produção e em sanitários, e de baratas mortas no local. O nome do estabelecimento não foi divulgado pela secretaria, mas foi apurado pela reportagem de Zero Hora.
Procurada, a SMS informa que "não irá rebater acusações sobre a atuação da Vigilância em Saúde, serviço respaldado por lei, que cumpre seu papel de proteger a saúde da população". O órgão confirmou os resultados da ação de fiscalização e disse que empresa tem amplo direito à defesa (veja mais abaixo).
Veja o vídeo em que a empresária comenta a ação da prefeitura:
Empresária alega que dejetos eram farinha e sementes
Em nota, a empresa afirma que a fundadora está a caminho da Capital para "garantir pessoalmente que cada recomendação da Vigilância Sanitária seja cumprida".
No vídeo divulgado nas redes sociais, com cinco minutos e 27 segundos de duração, Ana afirma que as imagens divulgadas mostram o local após a ação da Vigilância e não condizem com a apresentação da padaria:
— Vale ressaltar que esta forma só ficou quando a gente e a própria Vigilância retirou tudo dos seus lugares e jogou tudo neste saco de lixo, todos os insumos, utensílios. Então não é assim que nossa empresa estava se apresentando.
Sobre a presença de barates e fezes de ratos, a empresária afirma que esses apontamentos estavam na denúncia anônima enviada ao poder público. No entanto, Ana coloca dúvidas sobre a existência desses materiais no local. Segundo a empresária, os dejetos seriam restos de farinha de rosca e sementes de abóbora.
— A Vigilância vai lá para buscar apurar estes fatos, mas não os encontra e revela em toda mídia hoje apenas uma foto, que é esta, em que estes pequenos dejetos no chão estão do lado da nossa modeladora, que é onde fica a farinha de rosca que todos conhecem que está em torno do nosso pão, formando estas unidades crocantes menores no chão. E este arredondadinho aqui é uma semente de abóbora que vai no nosso pão prana, que está sendo manuseado exatamente ao lado da modeladora.
A empreendedora também afirma que a cor escura de alguns equipamentos, mostrados em fotos, não trata-se de sujeira, mas sim marcas em razão do calor dos fornos. Sobre o relato de não guardar o registro do Serviço de Inspeção Federal (SIF) dos produtos utilizados, a empresária argumentou que as embalagens "ficam sujas" e que, por isso, descarta os itens.
Na ação, além de suspender as atividades de produção, manipulação e comercialização no local até que as irregularidades sejam sanadas, a Vigilância dem Saúde também inutilizou 600 quilos de alimentos. A proprietária afirma que os alimentos não estavam vencidos e foram recolhidos com base em normas sobre o armazenamento de embalagens dos produtos.
A empresária finaliza o vídeo informando que vai buscar pessoalmente o auto de infração na Vigilância, junto com a equipe legal e operacional da padaria.
O que diz a prefeitura
A SMS afirma que "a ação realizada na última segunda-feira em confeitaria no bairro Moinhos de Vento confirmou condições insalubres que representavam risco iminente à saúde pública".
O órgão reforçou que as atividades de produção, manipulação e comercialização foram interditadas cautelarmente até que as irregularidades sejam corrigidas. Também reforçou que as infrações geraram um Processo Administrativo Sanitário e que a empresa tem amplo direito à defesa.
Leia a nota na íntegra:
"A Secretaria Municipal de Saúde informa que não irá rebater acusações sobre a atuação da Vigilância em Saúde, serviço respaldado por lei, que cumpre seu papel de proteger a saúde da população. A ação realizada na última segunda-feira em confeitaria no bairro Moinhos de Vento confirmou condições insalubres que representavam risco iminente à saúde pública. Como medida preventiva, 600kg de alimentos foram inutilizados e as atividades de produção, manipulação e comercialização foram interditadas cautelarmente até que as irregularidades sejam corrigidas. A Secretaria reitera que as infrações geraram um Processo Administrativo Sanitário e a empresa tem amplo direito à defesa. A Vigilância em Saúde segue monitorando o local e reforça à população que denúncias sobre irregularidades no comércio de alimentos podem ser feitas pelo telefone 156."



