Sem qualquer traço de timidez e com um repertório variado de assobios, cantos e frases, um papagaio se destaca por suas performances em meio ao barulhento trânsito da Avenida Benjamin Constant, no bairro São João, em Porto Alegre. Trata-se de Gabiru, de 13 anos, que pode ser visto diariamente em frente ao Mini Mercado do Gringo – estabelecimento onde vive e se tornou uma verdadeira celebridade.
O proprietário do ponto, Vilmar Mario Candaten, 67 anos, não esconde o orgulho do animal de estimação. Colorado fanático decidiu batizá-lo com o apelido do autor do gol do título do Inter contra o Barcelona na final do Mundial de Clubes em 2006. O papagaio assobia trechos do hino colorado. O que surpreende é que também sonoriza o do Grêmio.
— Na época, eu tinha um funcionário que trabalhava comigo e colocava em cima da ilha um notebook com os hinos de Inter e Grêmio. E ele falava umas palavras. Aos poucos, o papagaio foi escutando e aprendendo — conta Candaten, que instala a gaiola em um poste perto da porta de entrada.
Gabiru é uma atração irresistível da região. Clientes do mercadinho, pessoas que aguardam o ônibus na parada em frente ao local e crianças param para admirá-lo. O tutor apara parte de suas asas, o que permite ao papagaio realizar suas exibições ao ar livre. Nessas ocasiões, gira em torno do poleiro, abre as penas do rabo e parece gostar do assédio em seu entorno.

O repertório de Gabiru é variado e envolve expressões como:
- Sem-vergonha
- Papai chegou
- Gringo, vem cá!
- Gabiru quer café
- Gabiru quer papá
- Pega ladrão
- Gol do Inter
- Grêmio perdeu
- Vamu, vamu Inter
- Quer apanhar
- Goooool
Paixão por papagaios
Natural de Serafina Corrêa, na Região Norte, Candaten afirma que comprou legalmente o papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva) e tem permissão para sua criação. Segundo o tutor, a ave da família dos psitacídeos come frutas como bergamotas e maçãs, milho-verde, verduras, pepino, sementes de girassol, entre outros alimentos.
— Esses dias, uma menina ligou daqui para uma mulher que estava no Bourbon Shopping Wallig e falou assim: "Mãe, estou aqui no mercado do Gabiru". Então, eles conhecem mais o Gabiru do que os donos que estão aqui há 36 anos — ilustra o comerciante sobre a popularidade do animal.
— Eu sou conhecido como o mercado do papagaio — diverte-se o tutor.
Confraria do Gabiru

Com o sucesso, a família criou a Confraria do Gabiru, que tem até camisetas personalizadas. O grupo costuma se reunir eventualmente em frente ao estabelecimento para fazer um costelão na brasa em uma churrasqueira improvisada. Nesses momentos, os presentes vestem o uniforme. O papagaio participa de seu poleiro como se estivesse no palco.
Dessa maneira, a ave coleciona admiradores. Um dos amigos preferidos de Gabiru é João Paulo Fortini Garcia, 41, que trabalha em um ponto nas proximidades do mercadinho. Quando o papagaio o vê, já começa a soltar frases e a executar melodias. Por sua vez, o visitante retribui o afeto e passa por ali mais de uma vez ao dia.

— Ele (Gabiru) é político, canta o hino do Inter e do Grêmio. Canta Atirei o pau no gato, musiquinhas comuns de crianças, adora brincar e gosta de um cafunezinho. Mas tem que cuidar, só os da casa e eu conseguem dar carinho nele — adverte.
João Paulo costuma levar algo para o papagaio comer, o que estreitou ainda mais a relação de confiança.
— É uma terapia para mim. Venho aqui e bato um papo com ele. Me comunico com ele lá da loja. Costumo assobiar de lá e ele sobe no galho da ponta e fica assobiando para mim — detalha.
O amigo de penas verdes interrompe João Paulo e encerra a entrevista com um sonoro grito:
— Sem-vergonha.


