
Pichações, sujeira e janelas quebradas escondem o potencial de um prédio construído há 95 anos em Porto Alegre. Quem passa pela esquina das ruas Coronel Genuíno e José do Patrocínio, no Centro Histórico, lamenta o estado do edifício, que recebeu, na última década, mais de R$ 4 milhões de investimento para ser revitalizado.
— Poderia sair algo bacana aqui, né? Que trouxesse mais gente, talvez um restaurante, quem sabe — sugere a funcionária de uma lavanderia que trabalha no entorno.
Paulo Cesar Pardelhas, um dos donos do prédio, diz que é financeiramente inviável que uma operação como essa seja instalada no local, em razão do tamanho do imóvel. Contudo, ele vislumbra outras possibilidades.
— Poderia ser uma agência bancária ou uma loja de varejo — diz Pardelhas, que busca uma parceria para finalizar a revitalização do espaço (entenda abaixo).
Desde que sua família comprou o prédio, há 11 anos, ele já tentou reformá-lo mais de uma vez. Na primeira tentativa, de 2015 a 2019, a ideia era transformar a estrutura em um hotel com 34 quartos. Pardelhas já tem experiência no ramo. Junto do irmão, João Paulo, administra o Hotel Pampa, aberto há mais de 40 anos na Rua Demétrio Ribeiro. O negócio, aliás, fica a uma quadra da construção de 1930.
Antes de ser comprado, o imóvel pertenceu a outra família. Em 2014, com o prédio apresentando aspecto de abandono, os herdeiros decidiram vendê-lo. Na época, o edifício era formado por quatro sobrados e dois espaços para lojas no térreo.
Os novos donos compraram o imóvel, que tem quatro andares, já com a intenção de reformá-lo. Um projeto desenhado pelo escritório Arqui-4 começou a ser executado. Porém, desde a pandemia, a revitalização do prédio está interrompida por falta de recursos.
— Só fomos nos recuperar da pandemia agora, bem dizer. Na enchente, não fomos atingidos diretamente, mas teve água saindo do ralo do hotel. Ficamos sem luz e sem água por quase um mês, sem poder atender clientes. Isso dificultou muito tocar qualquer outro projeto — conta o empresário.
O que já foi feito
Por dentro, o prédio antigo foi completamente reformulado. Toda a estrutura interna de madeira, considerada frágil e insegura, foi demolida. No lugar, foram feitas novas colunas, estaqueamento, lajes e pisos. Os andares já estão prontos e há licença aprovada na prefeitura para finalizar esta parte da obra.
Apesar dos esforços, parte do investimento feito já foi perdida. Nos últimos anos, o prédio sofreu tentativas de invasão e teve até mesmo fiação elétrica roubada. Para impedir isso, acessos foram bloqueados com paredes de tijolos.
Do lado de fora, pichadores rabiscaram a fachada com códigos que só eles entendem. E, para completar a cena caótica, um emaranhado de fios deixa a visão da esquina ainda mais feia.

O que falta ser feito
O que falta, agora, é concluir o telhado, fazer nova instalação elétrica e restaurar a fachada do imóvel, que é tombada e precisa seguir orientações da Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural (Epahc) da prefeitura de Porto Alegre. Isso inclui restauração de portas, janelas e detalhes externos.
A ideia de abrir um hotel no imóvel foi deixada de lado. Agora, os proprietários buscam uma empresa interessada em ocupar o ambiente e reformá-lo em troca de isenção do aluguel por um período a ser negociado.
— A empresa que assumisse poderia fazer do jeito que quisesse. Os andares estão prontos. O que tinha ali antes era um risco. Trocamos tudo — explica o dono.
