
A família do pedreiro Adriano Alves, de 54 anos, foi a última a deixar região onde fica o dique do Sarandi, na zona norte de Porto Alegre. A casa situada na Rua Aderbal Rocha de Fraga foi desocupada no final da tarde desta quinta-feira (3). Ele e a esposa vão morar em outra residência com aluguel social.
— Eu moro aqui já há 30 anos, a minha esposa já mora há 50 e a gente vai sair agora para um aluguel. A gente está meio triste porque vai se afastar do lugar que sempre moramos, que sempre vivemos — afirma.
Ao todo, 56 famílias foram retiradas da região, segundo o Departamento Municipal de Habitação. Com as remoções, equipes do Demhab vão realizar uma vistoria no local nesta sexta-feira (4).
— Felizmente não foi necessário nenhum tipo de força policial para executar esse processo. Muito possivelmente já nesta sexta as casas que estão ainda em pé venham a ser derrubadas para que se possa concluir a limpeza e efetivamente começar a realizar a obra naquele espaço — projeta o secretário municipal de Habitação, André Machado.
A Justiça chegou a negar três pedidos da prefeitura de Porto Alegre para remoção de casas no bairro Sarandi nos últimos meses e exigiu que a prefeitura apresentasse laudo técnico e plano de acolhimento das famílias para remoção de casas.
No dia 26 de junho, uma decisão autorizou o retorno das intervenções, desde que sem atingir as casas ainda ocupadas.
No último despacho, no final de junho, o prefeito Sebastião Melo foi até o local e anunciou que descumpriria a decisão e iniciaria as obras.
Naquele momento, o nível do Rio Gravataí no lado de fora do dique estava elevado e a estrutura aparentava apresentar falhas, como fissuras, deixando os moradores apreensivos.
A situação se manteve até que, no último sábado (28), a Justiça autorizou a reintegração de posse de sete residências ainda ocupadas na região. Os moradores foram convencidos a sair sem utilização de força policial.
A obra
Atualmente, a obra está na etapa de destruição das casas e limpeza dos escombros. Com os terrenos limpos, será possível construir um novo talude, alargando a estrutura.
Conforme o Departamento Municipal de Água e Esgotos, o esvaziamento completo não altera o cronograma de obras. A previsão é que os trabalhos sejam concluídos entre três e quatro meses.
Fases de recuperação do dique
Fase 1 — Freeway até a casa de bombas 10
- Extensão: 1,1 km
- Situação: concluída
Fase 2 — Casa de Bombas 10 até ponto em que houve rompimento na enchente de 2024
- Extensão: 300 metros
- Situação: estava suspensa por decisão judicial, revertida agora. Prazo para conclusão indefinido, dependendo das condições climáticas, conforme o Dmae.
Fase 3 — Ponto de rompimento até Assis Brasil
- Extensão: 2,1 km
- Situação: exige acolhimento de cerca de 500 famílias para realização da obra. Não iniciada.



