Duas irmãs, de 90 e 92 anos, foram resgatadas de uma situação de desamparo em um apartamento no bairro Nonoai, na zona sul de Porto Alegre.
A intervenção foi feita na sexta-feira (11) passada pela Polícia Civil, que foi informada do caso pelo Ministério Público. O caso foi descoberto após vizinhos sentirem um cheiro forte vindo do imóvel das idosas.
— Havia acúmulo de lixo no apartamento, odor de urina, de esgoto, de alimentos podres: havia muita bagunça e as janelas estavam fechadas. Elas eram ativas, passeavam, mas começaram a ficar reclusas nos últimos meses e os vizinhos desconfiaram da situação. As duas não tinham compreensão do que estava acontecendo — afirma a delegada Ana Luiza Caruso, titular da Delegacia de Proteção ao Idoso de Porto Alegre.
Os policiais identificaram que as irmãs se alimentavam com a ração do gato que vivia no apartamento.
— Mesmo diabética, uma delas comia chocolate e bergamota. Também se alimentavam com alimentos estragados, fedendo, que estavam lá há muito tempo e ninguém botava fora. Estavam desnutridas e doentes — acrescenta Ana Luiza.
Segundo a polícia, as duas não têm filhos e netos, e não foi possível identificar familiares. Também não se sabe se havia um cuidador contratado para trabalhar na casa das irmãs.
Os agentes querem também descobrir o destino de benefícios sociais e aposentadorias das idosas.
— Não é um caso de filhos que não quiseram mais saber delas. Elas estavam na situação de pobreza e uma cuidava da outra. Responsabilizar o abandono de idosos é complicado em uma situação assim, porque é uma questão mais social, de assistência, que Porto Alegre não está preparada. Vemos situações assim quase todos os dias — pontua a delegada.
As irmãs foram levadas para atendimento médico ao Hospital Vila Nova, na Capital, onde seguem internadas em estado estável de saúde. Após a alta, elas devem ser acolhidas ao Asilo Padre Cacique. O gato que vivia com as idosas foi colocado para adoção.



