
Na última semana, esferas de concreto surgiram no Largo Glênio Peres, em frente ao Mercado Público de Porto Alegre. As esculturas chamam atenção de quem caminha pelo Centro Histórico e têm gerado debate nas redes sociais. Alguns perguntam qual a utilidade e outros se queixam dos locais onde foram instaladas.
As esferas de concreto servem como balizadores, usados para limitar o espaço onde os carros podem circular e estacionar. Os objetos foram instalados em volta das fontes d'água no largo — que está desativado desde a enchente — e nos limites entre o passeio de pedestres e a pista para veículos.
Com design futurista, cada esfera pesa 52 quilos e tem 35 centímetros de diâmetro. Ao todo, serão colocados 128 desses objetos no entorno do Mercado Público.
A instalação faz parte da obra de revitalização do largo, junto de melhorias na Praça Quinze de Novembro, iniciada em março desse ano pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus).
— Buscamos um mobiliário mais robusto, que tivesse uma característica adequada para ficar junto ao patrimônio histórico. Ou criamos uma escultura antiga ou nos destacamos. Escolhemos seguir o caminho de ter algo contemporâneo, que se destaca no entorno — diz o arquiteto e diretor de Áreas Verdes da Smamus, Alex Souza.
As esferas são encaixadas no solo através de uma barra roscada. Os objetos são esmaltados com verniz, facilitando a retirada de eventuais pichações. A ideia, segundo Souza, é instalar esse tipo de balizador também em outras áreas da cidade, como na orla de Ipanema.
O mobiliário foi desenhado pela italiana Metalco e produzido na filial da empresa em Flores da Cunha, no interior gaúcho. A indústria também é responsável pelos "stones", bancos em formato de pedra colocados em parques e praças de Porto Alegre.
O que acham os frequentadores
Além dos balizadores, o Largo Glênio Peres ganhou novos bancos, lixeiras e bicicletários, também desenhados pela Metalco e com estilo futurista.
Depois de almoçar no Mercado Público, o aposentado Valdir Lima, 71 anos, sentou em um dos novos mobiliários para pegar sol.
— Tinha outro tipo de banco aqui, né? Para mim, não faz diferença, desde que não atrapalhe — comentou o aposentado.
Sentada em outro banco, a vendedora Renata Freitas de Souza, 27, fazia fotos das esferas em volta dos chafarizes.
— Achei bonito, bem diferente — diz a vendedora, mesmo ainda sem saber para que servem os objetos.

Já nas redes sociais, há publicações criticando os locais onde as esferas foram instaladas. Em uma delas, um homem mostra que o objeto foi colocado em cima de parte do piso podotátil, que serve como guia para pessoas com deficiência visual.
Segundo o diretor de Áreas Verdes da Smamus, a marcação desse piso podotátil estava desatualizada e será refeita, seguindo outro caminho.
Outro ponto de discussão é o estacionamento de carros que existe hoje no Largo Glênio Peres. Criticado por alguns, as vagas são consideradas essenciais pelos comerciantes do entorno. Donos de restaurantes e de bancas do Mercado Público pedem que o espaço seja mantido para que clientes vindos de outros bairros tenham onde colocar seus carros.
O que ainda falta ser feito
A reforma do Largo Glênio Peres e da Praça Quinze de Novembro ficará pronta em 15 dias, promete a prefeitura. Após a instalação do mobiliário e de floreiras, a calçada será limpa com lava a jato para desencardir o piso.
Com investimento de cerca de R$ 700 mil, os trabalhos foram custeados pela construtora Cyrela Goldsztein como contrapartida por um empreendimento a ser erguido na Rua Marquês do Herval.
Até agora, a obra corrigiu pisos esburacados e grades quebradas, além de remover pichações. O próximo passo será a retirada do comércio irregular que se instalou nas calçadas da região, onde se vende de roupas usadas a bonecas rabiscadas.


