
Moradores do entorno da nova ponte do Guaíba aguardam uma definição sobre quando serão realocados para suas residências definitivas. A permanência dessas famílias no local atrasa a conclusão das obras das alças de acesso à travessia e também significa um risco.
Na terça-feira (22), após um caminhão-cegonha tombar na ponte, uma caminhonete caiu a poucos metros de uma casa na Rua Voluntários da Pátria — ninguém ficou ferido. Um mês antes, outro caminhão tombou ao descer pela ponte, dessa vez, sem que a carga também despencasse.
Conforme o Departamento Municipal de Habitação (Demhab), cerca de 780 famílias foram identificadas nos terrenos onde ainda estão previstos novos trabalhos para a conclusão da obra. São moradores das vilas Tio Zeca, Areia, Beco do X e Cobal.
A previsão é que todas as famílias sejam encaminhadas ao programa Compra Assistida, do governo federal. Porém, das 650 já habilitadas a ganhar uma nova moradia, apenas 250 já escolheram uma residência, sendo que parte ainda aguarda a vistoria ou a o andamento da documentação do processo junto à Caixa Econômica Federal.
— Algumas têm dificuldade em se adaptar à vida em apartamento, buscam, de fato, uma casa. As casas não estão, em geral, disponíveis, sobretudo aqui em Porto Alegre, onde o metro quadrado é mais caro. Muitas outras buscam em outras regiões — diz o diretor do Demhab, André Machado.
Esperando a liberação da casa...

Eliane Gonçalves da Silveira, 43 anos, é uma das moradoras que aguarda pelo novo lar há pelo menos 11 anos, quando as obras começaram. Ela chegou a alugar uma outra casa com o auxílio que foi dado durante a enchente, mas precisou voltar para a região, com o fim do prazo do benefício.
— Eu voltei para minha casa, que foi atingida pela enchente, que está bem feia. Quando chove, tem goteira. A minha filha, no caso, já ganhou a casa dela. Só que eu ainda não. Já foi feita a vistoria. Faz mais de um mês já. E eu estou esperando. Nós ficamos à mercê dos acidentes — afirma.
A Caixa afirma que atua, em parceria com a prefeitura, nas comunidades, junto aos líderes comunitários, "para que os beneficiários habilitados exerçam o seu direito".
Auxílio foi sancionado pela prefeitura
Como a grande maioria das famílias ainda não foi contemplada no Compra Assistida, um auxílio foi aprovado em abril deste ano pela Câmara Municipal. A lei que cria o Estadia Ponte foi sancionada em maio e prevê o repasse de R$ 1 mil por mês durante um ano para custear o aluguel das famílias da região.
Os valores virão do Fundo do Plano Rio Grande, do governo do Estado, para a prefeitura. Entretanto, mesmo após dois meses da sanção do benefício, o convênio entre Estado e município ainda não foi firmado e não há previsão para o início dos pagamentos.

... esperando a liberação para a obra
A área das intervenções da ponte foi divida em 16 lotes. O cronograma do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) estipula que as demolições e limpeza dos terrenos comecem na segunda quinzena de agosto e terminem em dezembro.
Contudo, o trabalho depende, justamente, da remoção dos moradores do local. Segundo o Dnit, foi criada uma Sala de Situação pela Casa Civil para coordenar o reassentamento e viabilizar a conclusão da obra.
Nesta sexta-feira (25), quando a reportagem de Zero Hora esteve no local, funcionários do Dnit estavam com uma liderança comunitária marcando as casas desocupadas.

O Dnit afirma que a obra está com aproximadamente 90% dos serviços executados. Do projeto inicial, ainda faltam a construção de três alças de acesso e a realização de serviços de pavimentação, acabamento e sinalização.
A estimativa é que a conclusão desses serviços demore cerca de 18 meses após o início. Entretanto, ainda será necessário executar um sistema de proteção dos pilares dos vãos centrais, chegando a 30 meses de prazo total.
Sobre o local onde aconteceu o acidente com o caminhão-cegonha, o Dnit afirma que "a ponte foi construída dentro das normas de trânsito e o pavimento e a sinalização estão em boas condições e adequados à legislação".

