
Começou a tramitar na Câmara Municipal de Porto Alegre um projeto de lei para criar um aplicativo municipal de transporte de passageiros. O "Temovepoa", nome escolhido para a plataforma, iria competir com Uber e 99, já estabelecidos no mercado. A proposta é do vereador Gilvani o Gringo (Republicanos).
Se aprovado, o texto prevê que a gestão do aplicativo seria feita pela Companhia de Processamento de Dados do Município de Porto Alegre (Procempa) ou por uma empresa através de uma parceria público-privada (PPP).
O aplicativo cobraria tarifas de 1% a 8% dos motoristas a cada corrida. Metade do valor arrecadado com a tarifa seria destinado a uma unidade de saúde indicada pelo motorista no cadastramento do aplicativo. A outra metade entraria no caixa da prefeitura.
— Esse valor seria usado para fazer a manutenção do próprio aplicativo. A ideia é ter um serviço mais viável do que o que já existe, que explora muitos profissionais. Eles não conseguem dar conta do aluguel do veículo ou da manutenção — comenta o vereador.
Em 2023, um aplicativo similar foi criado pela prefeitura de São Paulo. A plataforma MobizapSP ainda existe, mas com poucos usuários e motoristas parceiros. Em Sorocaba, no interior paulista, um aplicativo municipal está em fase de implementação. Conforme a prefeitura, as taxas aos motoristas ficarão abaixo de 10%.
Categoria diz não ter sido procurada
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores de Aplicativos do Rio Grande do Sul (Sinditrapli), as taxas cobradas por Uber e 99 aos motoristas são de 40% a 60% por corrida e variam de acordo com a localidade, horário e demanda.
— Quando a Uber começou, era 25% fixo, hoje a taxa é variável. Somos a favor de que os motoristas façam parte nesta construção e que sejam valorizados neste novo aplicativo. Isto não reflete na nossa luta pelos pleitos defendidos até agora, como valorização e garantias para todos os motoristas por todos os aplicativos de mobilidade — diz a presidente do sindicato, Carina Trindade.
Segundo Carina, o sindicato não foi procurado para auxiliar na elaboração do projeto de lei. O texto já foi protocolado na Câmara Municipal, mas ainda não há data para votação.
— Se o app foi criado sem que o motorista faça parte nesta construção, estará fadado a ser mais um aplicativo a ser lançado e não dar certo. Temos exemplos de apps que foram lançados sem ter mídia e campanhas constantes de marketing que não deram certo — diz a presidente do sindicato.
Exemplos que não deram certo
Desde que o Uber chegou ao Brasil, em 2014, diversos aplicativos surgiram para tentar abocanhar uma fatia deste mercado. No entanto, nem todos deram certo.
Um exemplo foi o Kovi, lançado no final do ano passado em Porto Alegre. A plataforma foi criada por uma locadora de carros de São Paulo. Recebeu R$ 1 milhão de investimento, mas saiu do ar em fevereiro deste ano.
Antes disso, em 2016, o Cabify chegou ao Brasil. O posicionamento da plataforma espanhola era de um serviço mais premium, com carros melhores e tarifas mais altas. Na época, a Uber ampliava participação localmente e o 99 ainda era uma empresa focada em táxis.
Em 2017, o Cabify chegou a comprar a brasileira Easy Taxi para solidificar sua participação no país. Porém, em 2021, durante a pandemia, a empresa deixou o Brasil, justificando que focaria na operação da Espanha e de outros países da América Latina.
Em 2023, um aplicativo gaúcho chegou a ser anunciado para competir com Uber e 99. O Me Leva nunca chegou a sair do papel. O empresário Henrique Ascari, quem teve a ideia, chegou até a mudar o nome da plataforma para Nos Leva, pois a marca já estava sendo usada por outros aplicativos que oferecem serviços parecidos.





