
O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, voltou a afirmar na manhã desta quinta-feira (26) que irá retomar as obras no dique do bairro Sarandi mesmo que a empresa não aceite, devido à decisão judicial em vigor que impede as intervenções. A afirmação já havia sido feita pelo gestor municipal na quarta-feira (25), diante da notícia da infiltração na estrutura.
— Eu vou começar as obras. Se a construtora não topar, eu vou tirar (os escombros) pelo DMLU (Departamento Municipal de Limpeza Urbana) — afirmou Melo em entrevista à Rádio Gaúcha.
Segundo o prefeito, a retirada dos escombros ainda não foi realizada pois estava atrelada ao contrato das obras do dique, que foram suspensas em março pela Justiça.
De acordo com o gestor, ainda é preciso retirar sete famílias, que se recusam a deixar as suas casas, construídas em cima do dique.
— Eu faço aqui um apelo público para essas famílias, que em nome de 30 mil moradores do Sarandi, elas aceitem o aluguel social da prefeitura e abandonem as suas casas — disse.
Ele afirmou ainda que, apesar de ter carinho por estas famílias, não pode prejudicar o coletivo em benefício do individual.
— Eu respeito essas sete famílias, tenho carinho por elas, mas eu não posso deixar sete famílias prejudicar 30 mil pessoas que atingem o Sarandi. Então, eu vou começar as obras — declarou.
Dique está "claramente fragilizado"

De acordo com Fernando Fan, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IPH/UFRGS), o dique do Sarandi está "claramente fragilizado". Do local, ele concedeu entrevista ao Atualidade na manhã desta quinta-feira.
Fan explica que a estrutura do dique é afetada pela construção de casas muito próximas à sua encosta.
— O dique geralmente tem um talude, que é suave, porque justamente ele pode escorregar ou romper quando é muito íngreme. Esse dique (do Sarandi) a gente vê que ele está claramente fragilizado. Por quê? Provavelmente as pessoas, na medida que foram ocupando esta área, para ganhar espaço, terreno paras as suas casas, elas foram escavando o dique, deixando ele cada vez mais íngreme. Isso a gente pode ver pelos destroços de casas que ainda existem nessa área — explica.
Para que o dique seja suficiente e seguro, Fan aponta a necessidade de remover todas as casas que estão na encosta e o entulho presente na estrutura do sistema.