
Os moradores de Porto Alegre acordaram nesta quarta-feira (25) com frio e apreensivos com a notícia de que o nível do Guaíba atingiu a cota de inundação — 3 metros — no Cais Mauá, no Centro Histórico. Ruas do 4º Distrito, na Zona Norte, e na área central, no bairro Praia de Belas, registram alagamentos.
No bairro Praia de Belas, o acúmulo da água já ocupa parte das calçadas. Na esquina da Rua Dra. Rita Lobato com a Avenida Borges de Medeiros, o transbordamento alagou o térreo de um dos prédios ainda na sexta-feira (20). A cada hora, o volume sobe mais. O condomínio contratou um serviço de bombeamento para retirar o excesso. Moradores de apartamentos rentes à altura da rua deixaram as unidades na terça-feira (24) com receio da elevação da água.
De acordo com o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), a situação no bairro é resultado do alto nível do Arroio Dilúvio. A drenagem na região funciona "por gravidade" e ainda não há sistema de bombeamento. Leia a nota do departamento na íntegra abaixo.
O que diz o Dmae
O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) informa que o acúmulo de água nas vias mais baixas do bairro Praia de Belas é causado pela elevação do nível do Arroio Dilúvio. Não há sistema de bombeamento nesta área da cidade, e a drenagem das vias ocorre por gravidade.
Em razão da cheia, há represamento nas tubulações. A solução do problema passa pelo redirecionamento da rede, para uma das casas de bombas mais próximas. O projeto da obra já foi contratado pelo Dmae e está em fase de elaboração.
Outros pontos
Na esquina das ruas Voluntários da Pátria e Almirante Tamandaré, no Quarto Distrito, a água já avançava no entorno de um posto de gasolina.
Segundo o Dmae, "o extravasamento de água observado na avenida Polônia e ruas Álvaro Chaves e Voluntários Pátria ocorre nos condutos forçados Polônia e Álvaro Chaves. O projeto de reforço nas estruturas de drenagem urbana foi contratado após a cheia histórica, em 9 de julho de 2024, e concluído em maio de 2025. A obra terá investimento superior a R$ 1,2 milhão, e tem edital de licitação em fase de formatação".

Cartão postal de Porto Alegre, o Mercado Público da Capital alagado foi uma das cenas mais emblemáticas da enchente de 2024. O temor entre os permissionários é de que o pesadelo se repita.
— Estamos nos mantendo sob aviso e tomando precauções, fazendo o mínimo de pedidos possíveis para não correr o risco de perder mercadoria — conta Gian Ferreira, 29 anos, gerente da Banca 43.

Comércio se prepara
De olho no nível do Guaíba, os empresários da Capital estão em atenção e reforçando planos de ação contra possíveis alagamentos.
Visitas constantes a sites que mostram o nível do Guaíba e alinhamento de estratégias para contornar eventuais acúmulos de água entraram na rotina de negócios localizados em bairros e regiões como Centro e o 4º Distrito.

Com muitos empresários castigados de forma severa na enchente do ano passado, a preparação e o monitoramento ganham destaque. O presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio de Porto Alegre (Sindilojas), Arcione Piva, também cita um ambiente de atenção em áreas tradicionalmente afetadas por alagamentos.
Nível do Guaíba
O Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) emitiu nesta manhã o seu boletim diário sobre a atual cheia projetando que, no pior cenário, o nível do Guaíba seguirá em alta por mais um dia, quando atinge o ponto mais elevado das águas.

Ainda conforme a previsão, as águas do Guaíba começam a baixar ao longo da quinta-feira (26) e seguem a tendência de queda até o fim do mês.
Na projeção, os hidrólogos alertam ainda que, a depender da chuva e do vento previstos para ocorrer entre sexta e domingo, o Guaíba pode apresentar nova alta a partir de 1º de julho.
