
Com o Guaíba atingindo a cota de inundação e previsão de mais chuva para os próximos dias, empresários de Porto Alegre estão em atenção e reforçando planos de ação contra possíveis alagamentos.
Visitas constantes a sites que mostram o nível do Guaíba e alinhamento de estratégias para contornar eventuais acúmulos de água entraram na rotina de negócios localizados em bairros e regiões como Centro e o 4º Distrito.
O presidente da Associação dos Empresários do 4º Distrito, Arlei Romero, afirma que o clima na região é de apreensão e insegurança. Até o fim da manhã desta quarta-feira (25), o dirigente não havia recebido informação de acúmulo de água em empreendimentos na região, mas já tinha relato de planos de prevenção:
— Alguns estão subindo alguns itens. Por enquanto eu não tenho informação de alguém que esteja retirando do local, mas cada um vai tomar a medida que achar conveniente, achar possível tomar nesse momento.
Romero afirma que, comparado a outros aguaceiros, a situação está menos precária na área central do 4º Distrito. No entanto, reforça a necessidade de maior celeridade nas obras estruturais de contenção de cheias.
Com muitos empresários castigados de forma severa na enchente do ano passado, a preparação e o monitoramento ganham destaque. O presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio de Porto Alegre (Sindilojas), Arcione Piva, também cita um ambiente de atenção em áreas tradicionalmente afetadas por alagamentos.

Como ainda não existe indicativos de inundação severa nas próximas horas, o foco maior é em planos de ação contra possíveis pontos de alagamentos:
— Existem lojistas que estão preparados. Alguns que têm uma mercadoria maior já têm até um caminhão, um transportador, contatado para o caso de precisar retirar os produtos rapidamente.
Plano de ação
Carlos Klein, proprietário da Via Condotti, empresa do ramo de vestuário, é um dos empresários que já montou uma estratégia contra possível avanço do Guaíba nos próximos dias. Na enchente do ano passado, na unidade na Galeria Sete de Setembro, na Avenida Siqueira Campos, no Centro, a água cobriu 1m70cm do local durante 25 dias. Agora, o empresário conta com um plano dividido em dois estágios principais para evitar prejuízos na operação.
Caso o Guaíba chegue na casa dos 3m60cm, mercadorias e outros itens serão colocados em uma parte mais alta do prédio. Já em uma situação mais crítica, como, por exemplo, o Guaíba em 4 metros, a operação partiria para desmontagem e retirada de mobiliários e estruturas maiores. Klein destaca que esse temor preocupa e prejudica o setor:
— Dentro desse cenário de frio chegando, onde tem uma ótima oportunidade de vendas para o lojista, nós precisamos tirar o foco da venda e da recuperação dos prejuízos pra mais uma vez ficar preocupados com uma possível perda de patrimônio, fechamento e perda de atividade.
Klein afirma que, até terça-feira (24), acompanhava a situação de maneira mais tranquila diante da oscilação na medição do Guaíba. No entanto, com a cota de inundação nesta quarta e possibilidade de mais chuva nos próximos dias, o monitoramento fica mais constante, segundo o empresário.
A maior familiaridade com sites de acompanhamento de nível de rios e de outras informações meteorológicas também ajuda nesse momento, segundo o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Porto Alegre, Irio Piva. Comparado a eventos anteriores, Piva observa uma maior preparação dos empreendedores da Capital. O empresário também afirma que o cenário é de “atenção total, mas sem a necessidade de criar pânico”:
— É importante estar alerta, estar atento, ficar cuidando os movimentos. Temos de evitar o pânico, mas também adotar o cuidado necessário par não sermos surpreendidos. Precisamos ter um plano de ação — conclui.





