
Há um ano, a água que deságua no Guaíba, vinda sobretudo da Serra e da região dos Vales, invadia com força e velocidade o centro de Porto Alegre. O resultado culminaria numa tragédia, com grande parte da cidade alagada, sem luz e sem abastecimento de água potável.
Neste sábado, o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) realizou a verificação de quatro comportas do sistema de proteção contra cheias no Guaíba.
Foram testadas as comportas 1,2,4 e 6, as únicas que permanecerão móveis ou que não serão substituídas por novas. Na avaliação do departamento, as estruturas estão funcionando normalmente, sem problemas na sua mobilidade, em razão da manutenção feita desde o final da enchente.
Segundo o Dmae, o sistema está sendo testado com frequência, sempre que há um serviço de manutenção. No entanto, o órgão avalia um trabalho periódico de verificação. Este trabalho ficará a cargo da nova diretoria de Proteção Contra Cheias e Drenagem Urbana, que está sendo criada.
Ainda que permaneçam do jeito que estão, as comportas que foram testadas seguem passando por serviço de melhorias. Serão adaptadas a vedação e mobilidade. Essas foram as únicas comportas que não apresentaram falhas durante a catástrofe de 2024.
Uma lei, aprovada no final do ano passado, determina que a checagem das estruturas ocorra sempre no dia 3 de maio, data em que a água começou a alagar a região central da cidade.

Demais comportas
Conforme reportagem de Zero Hora, a prefeitura também decidiu reduzir o número de comportas, concretando parte das antigas passagens. Isso já foi feito nos equipamentos 3, 5 e 7 (no Muro da Mauá), mas ainda precisa ser replicado nas aberturas 8, 9, 10 e 13 (desde a parte norte do muro até o começo da Avenida Castelo Branco). Quando concluído, o fechamento definitivo das sete das passagens vai reduzir de 150 metros para 45 metros os vãos no muro da Mauá.
Além das comportas 12 e 14, o Dmae promete substituir o equipamento de número 11, localizado junto à Avenida São Pedro, por apresentar defeitos.
Brechas históricas
Há outros três pontos da cidade por onde a enchente de maio se infiltrou que seguem desprotegidos e que não têm previsão de serem bloqueados (veja no mapa abaixo). O primeiro deles fica em um cartão postal da cidade, a Usina do Gasômetro. A região do prédio histórico não é protegida pelo muro da Mauá nem pelo dique da Avenida Edvaldo Pereira Paiva.
As outras duas brechas do sistema estão no dique da freeway — a base dessa rodovia é uma das estruturas de defesa da cidade. Há dois vãos sob a via expressa — nos pontos de travessia das avenidas Assis Brasil e Ernesto Neugebauer — que fazem desse dique um sistema incompleto.
O Dmae sustenta que possíveis soluções para as três brechas dependem de projetos complexos, ainda sem perspectiva de definição, para bloquear o avanço da água sem impedir a circulação de pessoas e veículos.




