Da mesma forma que esportes como o skate, a ginástica e a canoagem deram orgulho aos brasileiros nas Olimpíadas de Tóquio, em modalidades ainda pouco conhecidas do grande público, podem sair da Região Metropolitana alguns dos medalhistas do futuro.
Desde o início do mês, a prefeitura de Canoas está com vagas abertas para aulas de hóquei sobre a grama, sediadas em uma recém-inaugurada quadra de grama sintética no Centro Olímpico Municipal. O piso é uma herança do já longínquo Pan de 2007, no Rio de Janeiro.
— Conhecemos pouco sobre a modalidade, mas é um esporte tradicionalíssimo graças à influência britânica. Na Argentina, por exemplo, tem popularidade comparável ao vôlei no Brasil. O feminino deles foi medalha de prata em Tóquio — conta Daniel Finco, diretor técnico da Federação de Hóquei sobre grama e Indoor do Estado do Rio Grande do Sul (FHERS) e responsáveis pelas primeiras tacadas em terras canoenses.
Interessado em esportes que desenvolvessem a motricidade infantil, Finco começou a estudar a modalidade no final dos anos 2000. O hóquei veio a calhar por poder ser praticado em quadras convencionais, como as de futsal, e utilizar o taco, importante no desenvolvimento. Em 2013, ele chegou a ministrar disciplina do esporte na UFRGS. Mas a adoção de Canoas como terra das tacadas veio após o sucesso de um projeto de contraturno na Escola Municipal Duque de Caxias.
— Desde o Ensino Fundamental que eu via o professor Daniel espalhando a palavra do hóquei, mas fui me interessar há uns três anos. Falar em profissionalismo é um sonho meio distante, mas não pretendo mais deixar de praticar a modalidade — conta Alan Consentino, de 16 anos, que defende a equipe da AABB de Canoas.
O trabalho na Duque de Caxias deu frutos rapidamente. Graças a uma terceira colocação em um campeonato brasileiro sub-15 em 2015, quatro adolescentes do time masculino ganharam bolsa atleta nos anos seguintes. Entre as meninas, outras quatro já receberam convocações para a seleção brasileira sub-21.
— Ali é outro patamar. Há treinamentos específicos para a parte física, tática, acompanhamento nutricional. Fui convocada apenas uma vez, mas ficou a experiência —declara Kaiane Azolini, de 19 anos.
Agora é sediar campeonatos, atrair atletas e formar o máximo de professores e árbitros para espalhar o esporte pela cidade e pelo Estado
DANIEL FINCO
Diretor técnico da FHERS
A inauguração da quadra de grama sintética é o reinício de um projeto que passou quatro anos praticamente parado, mesmo após a doação em 2016 do gramado do Pan de 2007 pela Confederação de Hóquei sobre a Grama e Indoor. Está nos planos da prefeitura a inauguração de uma segunda quadra. Por ora, o objetivo é usar a nova estrutura como um farol de desenvolvimento da modalidade.
— Não precisando mais alugar e adaptar quadras e tendo um local de referência, cria-se uma identidade para a modalidade. Agora é sediar campeonatos, atrair atletas e formar o máximo de professores e árbitros para espalhar o esporte pela cidade e pelo Estado —planeja Finco.
Por trás de uma armadura de R$ 7 mil, o goleiro Leonardo Santos, de 17 anos, faz coro:
— É a diferença entre ter ou não uma casa sua para treinar. Sem dúvida o trabalho vai ser aprimorado.
As inscrições para as aulas de hóquei no Centro Olímpico Municipal estão abertas para crianças e adolescentes entre 12 e 18 anos. Mais informações pelo telefone (51) 3236-1902.

O hóquei sobre a grama
Com forte tradição britânica, o hóquei sobre grama foi disputado pela primeira vez nos Jogos Olímpicos de 1908, como exibição, e entrou para o programa olímpico em definitivo 20 anos depois, em Amsterdã.
No formato tradicional, são 11 jogadores e o objetivo é marcar gols como no futebol, em quatro tempos de 15 minutos. A bola – que pesa 170 gramas e tem sete centímetros – só pode ser conduzida pelos tacos. Em Canoas, a preferência será pela modalidade Hockey5s, mais popular ente jovens, com cinco atletas em cada equipe. Além da modalidade na grama, há variações do esporte em quadras (indoor) e sobre patins e no gelo.


