O entra e sai de caminhões do Corpo de Bombeiros que movimentava a Avenida Voluntários da Pátria nas primeiras 24 horas após o incêndio na Secretaria da Segurança Pública (SSP), em Porto Alegre, agora deu espaço ao barulho das máquinas pesadas que carregam entulho e estruturas de concreto. O quarto dia de buscas concentra todos os esforços em avançar na localização dos dois bombeiros desaparecidos desde a noite quarta-feira (14) — o tenente Deroci de Almeida da Costa e o sargento Lúcio Ubirajara de Freitas Munhós —, preservando a segurança dos servidores e voluntários envolvidos na operação.
Até o momento, acredita-se que os militares eram os únicos que estavam dentro do prédio no momento em que a estrutura desabou, em um ponto do prédio ainda desconhecido pelas equipes. Desde sábado (17), as buscas se concentram em determinado perímetro indicado pelos cães de busca. Segundo o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Cesar Bonfanti, os cães têm sinalizado sempre para o mesmo local.
— É nesse ponto que estamos concentrados, é um raio grande e continuamos esfriando algumas estruturas para avançar.
Na manhã desta segunda-feira (19), 67 homens trabalhavam na área. Por turno, 50 pessoas atuam diretamente na cena do incêndio, entre eles estão militares do Corpo de Bombeiros, servidores da Defesa Civil Estadual e operadores de maquinário.
— Apesar do vendaval e das adversidades climáticas, seguimos nas buscas pelos nossos bombeiros militares desaparecidos. Hoje teremos mais três equipes de busca e resgate em estruturas colapsadas, as equipes que já estão dentro da edificação, avançando metro a metro para que cuidadosamente possamos recuperar nossos bombeiros — afirma o tenente-coronel Eduardo Estevam.
O forte vento atrapalhou os trabalhou na tarde e na noite de domingo (18), mas não impediu a continuidade das buscas. Na manhã de segunda, o trabalho seguia, também com fortes rajadas, temperatura de 11ºC e sensação de 6ºC próximo ao meio-dia. À noite, é utilizada iluminação da IPSul, empresa responsável pela iluminação pública da Capital, o que possibilita que as buscas sigam sem interrupção.
— A equipe está focada, está bem e trabalhando com bastante segurança. O pessoal está demonstrando muito profissionalismo. O objetivo é encontrar os companheiros — afirma o comandante-geral.
São 13 viaturas utilizadas, entre caminhões de combate, resgate e máquinas, para remoção de estruturas. A prefeitura disponibilizou uma retroescavadeira de grande porte e dois caminhões-caçamba do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) e duas retroescavadeiras de pequeno porte do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) para auxiliar as equipes de resgate.
— Até 72 horas usamos maquinário mais leve e agora há necessidade de entrar com máquinas mais pesadas para fazer remoção de carga, a quantidade de concreto e material é muito grande. As buscas continuam, se mantém todo cuidado. É um trabalho lento, devagar, e o maquinário mais pesado pode fazer um trabalho com profundidade — explica o coronel César Bonfanti.
Ainda interrompida para o trânsito no entorno da Rodoviária da Capital, a Avenida Voluntários da Pátria não tem mais o mesmo acúmulo de curiosos gravando o trabalho dos bombeiros, apenas a tradicional circulação de recicladores com carrocinhas. Entre as ruas Ramiro Barcelos e Santo Antônio, a EPTC controla os poucos veículos que acessam a avenida, e viaturas do 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM) fazem a segurança.
Dentro da área de buscas, 20 servidores e voluntários atuam na área de apoio, que inclui alimentação, Cruz Vermelha e organização dos turnos. As refeições são feitas em uma estrutura de restaurante de campanha. Desde o incêndio, colegas, moradores da região e Associação dos Bombeiros do RS (Abergs) também trazem lanches e alimentos para quem trabalha no local. Desde a sexta-feira (16), 20 profissionais de engenharia atuam em apoio ao CBMRS para avaliar os riscos da área.