
Na manhã desta quinta-feira (23), poucas pessoas aderiram ao novo decreto expedido pela prefeitura de Porto Alegre na noite anterior, orientando passageiros a utilizarem máscaras ao pegarem o transporte público na cidade. A medida é para evitar a propagação do coronavírus. Motoristas e cobradores também devem vestir o pano sobre o rosto.
No texto assinado pelo prefeito Nelson Marchezan, outras regras são modificadas, como a possibilidade de pessoas viajarem em pé. Sobre as máscaras, no entanto, a prefeitura garante que não pretende impedir o ingresso de quem não estiver usando o acessório.
Esperando o coletivo na Avenida Bento Gonçalves, bairro Partenon, o autônomo Arvilton de Oliveira Gonçalves, 43 anos, não vestia a máscara, mesmo afirmando possuí-la.
— Eu trouxe, está na mochila, mas a esta hora (6h45min) tem pouca gente no ônibus. No horário de pico eu uso — justifica.
A reportagem de GaúchaZH observou que, em ao menos 10 viagens entre 6h30min e 6h45min, a maioria dos usuários dos ônibus estava com o rosto exposto. Ônibus que circularam na Avenida Protásio Alves, às 7h15min, tinham passageiros com a mão no queixo ou nos olhos e outros com a cabeça escorada nas janelas, sem preocupação em proteger nariz ou boca.

Motoristas e cobradores devem passar a recomendação aos usuários do sistema público - o que não foi visto em coletivos que apanhavam passageiros nesta manhã. Em muitos dos veículos, nem sequer o motorista tinha nariz e boca cobertos.
Adepto da máscara, o condutor do Consórcio Mais, Alexandre Farias, 54 anos, confirma a percepção e complementa que os passageiros se mostram relutantes sobre vestir a proteção:
— Eu já usava, mas agora não dá para esquecer.
Desde março, estava vedado o transporte de passageiros em pé na Capital. Com a novo documento, essa obrigação caiu: veículos articulados podem transportar 15 pessoas fora dos assentos, e os tradicionais, 10. Não foram vistos, porém, coletivos com lotação entre 6h e 7h na zona leste. Em sua maioria, havia apenas passageiros sentados.
O construtor Ivan Cavalheiro, 64 anos, concorda com a recomendação. Ele vestiu uma máscara azul logo que saiu de casa, no bairro São José.
— Depois que surgiu essa doença, eu passei a usar. Não dá para arriscar — complementa.
Parte dos profissionais flagrados sem equipamentos de proteção individual disse não ter recebido as máscaras das empresas de ônibus. Segundo a Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP), como o decreto saiu próximo da meia-noite, "não houve tempo hábil para cumprirmos com a determinação. Apesar das dificuldade financeiras, que vêm sendo divulgadas insistentemente nas últimas semanas, as empresas irão fazer todos os esforços para a compra do material. Também vale salientar que, devido à grande procura, os produtos estão em falta no mercado".
A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) foi questionada sobre o descumprimento da recomendação nos ônibus da Carris e afirma que busca adquirir equipamentos de proteção.
Procurada por GaúchaZH, a prefeitura respondeu que "a regra não foi feita para impedir que as pessoas entrem nos coletivos, e, sim, para permitir esse ingresso com maior segurança, além de conscientizar a população de que todos precisam se proteger e proteger o outro".




